CAROLINA PENCO VILLA
LUIZ EDUARDO MAINENTI PAGNEZ
MARCOS STRECKER GOMES
PAULO KOJI USUDA
RICARDO ALEXANDRE ESTEVES
MENDONÇA
Técnicas de
gerenciamento de mudanças: usos e resultados em Projetos com alto impacto na
estrutura organizacional
Trabalho apresentado ao
curso MBA em Gerência de Projetos, Pós-Graduação lato sensu,
da Fundação Getulio Vargas como requisito parcial para a obtenção do Grau de
Especialista em Gerência de Projetos.
ORIENTADOR:
Ana Paula Cortat Zambrotti Gomes
São Paulo
Fevereiro
/ 2008
FUNDAÇÃO
GETULIO VARGAS
PROGRAMA
FGV MANAGEMENT
MBA EM
GERÊNCIA DE PROJETOS
O
Trabalho de Conclusão de Curso
Técnicas de gerenciamento de
mudanças: usos e resultados em Projetos com alto impacto na estrutura
organizacional
elaborado
por (Carolina Penco Villa, Luiz Eduardo Mainenti Pagnez, Marcos Strecker
Gomes, Paulo Koji Usuda e Ricardo Alexandre Esteves Mendonça), e aprovado
pela Coordenação Acadêmica do curso de MBA em Gerência de Projetos, foi aceito
como requisito parcial para a obtenção do certificado do curso de
pós-graduação, nível de especialização do Programa FGV Management.
São Paulo, 23 de Fevereiro de
2008.
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Carlos
A. C. Salles Jr.
Coordenador Acadêmico Executivo
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Ana Paula Cortat Zambrotti
Gomes
Professor Orientador
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Termo
de Compromisso
Os alunos
Carolina Penco Villa, Luiz Eduardo Mainenti Pagnez, Marcos Strecker Gomes,
Paulo Koji Usuda e Ricardo Alexandre Esteves Mendonça, abaixo assinado(s), do
curso de MBA em Gerência de Projetos, Turma GEEP02 do Programa FGV Management,
realizado nas dependências da Fundação Getúlio Vargas, no período de 29/04/2006
a 14/09/2007, declara que o conteúdo do Trabalho de Conclusão de Curso
intitulado Técnicas de gerenciamento de mudanças: usos e resultados em Projetos
com alto impacto na estrutura organizacional, é autêntico, original e de sua
autoria exclusiva.
São Paulo, 23 de Fevereiro de
2008.
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Luiz Eduardo Mainenti Pagnez
|
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Ricardo Alexandre Esteves Mendonça
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RESUMO
A
presente monografia responde ao seguinte questionamento: Quais princípios e
técnicas de gerenciamento de mudanças são usados no gerenciamento de projetos
de grande impacto organizacional e quais os resultados obtidos com a sua
utilização?
Faz-se
uma breve apresentação de diversas técnicas e metodologias de gerenciamento de
mudanças documentadas na literatura, tendo-se como referencial para análise o
PMBOK (2004). Este referencial permite
uma avaliação da implementação das técnicas e das práticas de gerenciamento de
mudanças, disso resulta uma classificação de acordo com o impacto por elas
obtido. Destacam-se, neste trabalho, casos reais de projetos com grande impacto
organizacional em grandes empresas.
Para
analisar o gerenciamento de mudanças nos dias de hoje como forma de mitigar os
impactos negativos na rotina, na estrutura e nos processos organizacionais,
realizou-se uma pesquisa de campo quantitativa, cuja técnica de coleta de dados
foi um questionário via Internet enviado para um grupo de profissionais da área
de gerenciamento de projetos. O questionário foi respondido por 40
profissionais.
Os dados
foram agrupados em categorias pré-estabelecidas quais sejam: idade, formação,
local de atuação, técnicas implementadas e avaliação dos resultados dos
projetos. Realizou-se uma comparação dos dados coletados na pesquisa e os dados
da literatura, dessa comparação resulta uma validação da importância do
gerenciamento de processos de mudança.
Palavras-chave: gerenciamento de
mudanças, técnicas de gerenciamento de mudança, mudança organizacional,
avaliação do impacto de projetos.
ABSTRACT
The present monograph answers the following
questions: What principles and change
management techniques are used in high organizational impact project management
and what are the results obtained by their utilization?
A short presentation of diverse techniques and
change management methodologies documented in literature is made, using the
PMBOK (2004) as its reference for analysis.
This reference permits an evaluation of the implementation of techniques
and practices of change management, which results in a classification according
to the impact obtained. Real cases of
projects with high organizational impact in big companies are cited.
In order to analyze change management nowadays as
a form of mitigating negative impacts in routine, in structure and in
organizational trials, quantitative field research was carried out, whose
technique was a questionnaire sent over the Internet to a group of project management
professionals. Forty professionals
answered the questionnaire.
The facts were grouped in pre-established
categories: age, educational background,
place of activity, implemented technique and evaluation of the project
results. A comparison between the facts
collected through the research and the facts documented in literature was
made. That comparison confirms the
importance of change management.
Keywords: change management, change management
techniques, organizational change and evaluation of project impacts.
ÍNDICE
INTRODUÇÃO.. 9
CAPÍTULO 1 – O QUE É E PARA QUE SERVE O GERENCIAMENTO DE
MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS. 14
CAPÍTULO 2– OS PROCESSOS DA MUDANÇA ORGANIZACIONAL.. 24
CAPÍTULO 3– OS IMPACTOS DA MUDANÇA ORGANIZACIONAL.. 36
CAPÍTULO 4- APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA
PESQUISA APLICADA 54
CONCLUSÃO.. 84
REFERÊNCIAS. 87
ANEXO I. 90
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 – Fase Iniciação – Processo: Levantamento dos
macroimpactos da mudança. 25
Figura 2 – Fase Planejamento 1 - Processo: Planejamento
da mudança. 26
Figura 3 – Fase Planejamento - Processo: Alinhamento a
Equipe. 29
Figura 4 – Fase Execução - Processo: Preparação para a
mudança. 32
Figura 5 – Fase Controle - Processo: Controle do
Gerenciamento da Mudança. 33
Figura 6 – Fase Encerramento - Processo: Desmobilização
de Recursos. 34
Figura 7 – Estado. 55
Figura 8 – Cidade. 56
Figura 8 – Faixa Etária. 57
Figura 9 – Gerente de Projetos. 59
Figura 10 – Gerenciamento de Projetos. 59
Figura 11 – Áreas. 61
Figura 12 – Tamanho das empresas. 62
Figura 13 – Nacionalidade das empresas. 63
Figura 13 – Estrutura das empresas. 65
Figura 14 – PMO.. 66
Figura 15 – CMMI. 67
Figura 16 – Quantidade de projetos. 68
Figura 17 – Tipos das mudanças. 69
Figura 18 – Causas das mudanças. 70
Figura 19 – Impacto da mudança. 71
INTRODUÇÃO
Desde a
antiguidade, o homem convive com as mudanças que constantemente acontecem em
todas as circunstâncias que envolvem a sua vida. E desde então teme a mudança,
a alteração da zona de conforto, a interrupção de rotinas conhecidas e de
processos e métodos seguros.
Na
Grécia Antiga o homem já pensava e estudava a mudança. O grande filósofo
Heráclito afirmava que "a única coisa que não muda é a mudança" e
focou seus pensamentos e estudos na mudança, no conceito de que tudo é
movimento, tudo flui, tudo se move, nada permanece estático. Para Heráclito:
“Tudo flui e nada
permanece; tudo se afasta e nada fica parado [...] Você não consegue se banhar
duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo
[...] É na mudança que as coisas acham repouso [...]” (HERACLITO
apud WIKIPEDIA, 2008 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Heraclito)
Podemos
afirmar que é da natureza, que a mudança ocorra em qualquer aspecto da vida
humana: pessoal, relacional, social e por fim nas organizações, promovidas,
conduzidas e impactando pessoas.
Até
algumas décadas atrás, as mudanças eram bem menos freqüentes e de menores
proporções, devido às reservas de mercado, dificuldades de comunicação e
transporte. Mas com a globalização, o aumento da competitividade e os grandes
avanços na tecnologia da informação, a velocidade com que as mudanças têm de
ser implementadas cresce cada vez mais.
Nos
dias de hoje, as organizações têm de se modificar rapidamente, para se acomodar
ou antecipar às mudanças políticas e econômicas, às condições do mercado e,
aquelas que não se adaptarem podem vir a perder mercado, serem absorvidos ou até
vir a desaparecer, como já ocorreu com vários conglomerados empresariais, que
eram considerados como sólidos, mas foram “atropelados” pelas mudanças.
As
mudanças são desdobramentos do plano estratégico das organizações, com o
intuito de se aproveitar oportunidades, de se minimizar os riscos do negócio,
de sobrevivência ou de simples otimização de processos.
Atualmente
as grandes mudanças nas empresas são executadas na forma de projetos, pois esta
foi a maneira encontrada para que a condução dos mesmos seja cada vez mais
padronizada, possuam regras específicas, de modo que sejam gerenciados da forma
mais otimizada possível e tenham uma maior probabilidade de sucesso na
implantação e ainda gerem subsídios recuperáveis para os futuros projetos,
através da documentação do projeto que é gerada e guardada e das lições
aprendidas.
O
conjunto de conhecimentos reconhecidos e amplamente utilizados nos Estados
Unidos da América e também no Brasil como sendo boas práticas em gerenciamento
de projetos, estão no “The Guide to The Project Management Body of Knowledge” PMBOK
(2004), publicado pelo Project Management Institute (PMI). Esta metodologia é
seguida com o objetivo de se otimizar o gerenciamento, dedicando um grande
percentual de recursos da equipe de projeto nos tópicos considerados técnicos e
clássicos, como a geração da documentação de projeto, o controle do escopo,
tempo e custos e a divulgação dos projetos.
Os
aspectos que envolvem os seres humanos, os impactos dos mesmos dentro da
organização, a aceitação das pessoas e a utilização do novo processo proposto
pelo projeto, são relegados a um segundo plano, apesar de alguns estudos
indicarem que são fatores críticos de sucesso na implantação de projetos.
A falha
básica ocorre porque apenas a alta administração e os gerentes de projetos, ou
os que ocupam funções semelhantes, são os que possuem o conhecimento da razão
do elemento motivador da mudança e os impactos previstos na organização. Nem
sempre é disponibilizado o tempo ou o recurso necessário para informar aos que
serão impactados para que incorporem que o projeto é necessário para e
organização, pois senão estarão sujeitos à impactos piores, impulsionados pelo
mercado.
Os
gerentes de projetos perceberam que a cooperação e a aceitação das mudanças
pelas pessoas que serão impactadas na organização, é a peça-chave para o
sucesso da implementação de seu projeto. Sem o engajamento destas pessoas e
ainda mais, sem a cooperação delas, a probabilidade de não se alcançar o
sucesso completo será muito alta.
Com a
divulgação das reais necessidades de implantação do projeto, as resistências
dos stakeholders será minada, com
as forças contrárias à mudança migrando para o lado do apoio, motivado pelos
interesses pessoais e de sobrevivência.
Porém, o
PMBOK (2004), não trata explicitamente gerenciamento das mudanças. O assunto
está fragmentado no gerenciamento de riscos, nos recursos humanos, na
comunicação, no planejamento, etc., mas não há um tópico ou processo
específico.
Mesmo
saindo do PMBOK (2004) para a literatura em geral, o estudo e a demarcação
deste tipo de processo é relativamente escasso, comparando-se com a vasta
documentação existente sobre os tópicos técnicos de implantação de projetos.
Ainda mais do que isso, a estruturação do assunto, aos moldes do que foi feito
com o gerenciamento de projetos no PMBOK (2004), separando os assuntos por
áreas de conhecimento, processos e sub-processos, é praticamente inexistente.
Com esta
falta de embasamento teórico, é complexo para um gerente de projetos controlar
os impactos do projeto na estrutura organizacional. O gerenciamento das
mudanças, muitas vezes, é executado de acordo com a vivência do gerente, pois é
apenas com experiências anteriores e soluções de problemas observados, no
decorrer de suas carreiras, que cada gerente de projeto mapeia e coordena a
implementação de uma mudança em uma organização.
Na parte
teórica deste trabalho, estudamos as origens e primeiros levantamentos sobre os
impactos das mudanças organizacionais oriundos de projetos, de que modo estes
impactos foram identificados, como foram analisados e tratados no decorrer dos
anos e qual o papel da gerência de mudanças neste contexto.
Fizemos
uma prospecção dentro da literatura procurando autores que nos auxiliassem a fazer
paralelos com as fases de execução de projetos propostas pelo PMI, o que
facilitará para muitos gerentes de projetos e implementação de tais conceitos
em seu dia-a-dia, pois tendo toda a proposta sido baseada nos padrões do PMBOK
(2004), basta ao gerente de projetos conciliar estas novas práticas às práticas
já executadas normalmente.
Realizou-se neste trabalho, uma pesquisa de
campo quantitativa, cuja técnica de coleta de dados foi um questionário via
Internet enviado para um grupo de profissionais da área de gerenciamento de
projetos. Esta pesquisa focou em um levantamento de grandes mudanças que
ocorreram em grandes empresas, destacando e deixando claro, os impactos das
mudanças organizacionais, para esclarecer a importância do gerenciamento das
mesmas. Vendo e verificando o que aconteceu em outras organizações e projetos,
o gerente de projetos terá mais confiança e motivos para começar a sempre
incluir estes novos métodos em seu trabalho.
Analisamos o resultado deste questionário,
respondido por um grupo de 40 profissionais da área de gerenciamento de
projetos, onde foram coletadas informações sobre a forma de como as mudanças
estão sendo conduzidas nas organizações, sobre quais tipos de projetos estão
recebendo ou não técnicas de gerenciamento de mudança organizacional. Foram
avaliadas também quais são as técnicas demonstradas no trabalho que estão mais
sendo usadas e qual a relação desta utilização no fracasso ou sucesso destes
projetos.
O objetivo do
trabalho é alertar sobre a importância do gerenciamento das mudanças que um
projeto vai causar em uma organização. Que a coordenação destas mudanças seja
vista como mais um processo fundamental do gerenciamento de projetos, fazendo
com que as mudanças sejam de conhecimento geral de todos os envolvidos e
impactados. Disseminando estas informações da maneira correta, diminuindo a
ansiedade e o medo que as pessoas terão desta sua nova fase na vida. Pois é
fundamental levar em consideração que estes processos de mudança organizacional
também é uma mudança na vida dos seres humanos que atuam na empresa e na vida
do gerente de projetos. E como toda mudança, é necessário que haja um preparo
adequado e uma conscientização do por quê a mudança é necessária.
O QUE É
E PARA QUE SERVE O GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS
“Deve-se ter em mente que não há nada mais
difícil de executar, nem de sucesso mais duvidoso, nem mais perigoso de
conduzir do que iniciar uma nova ordem das coisas”.
Nicolau Maquiavel
1.1 – Definindo
Mudança Organizacional
A
definição de Mudança Organizacional ainda não é algo exato. São encontradas
inúmeras versões, parecidas, diferentes ou que se complementam, observando-se
até falta de consenso entre alguns autores. O desenvolvimento deste conceito
encontra-se em fase inicial.
Wood
(2004) levanta diversas definições de diversos autores desde a década de 70 até
os dias atuais, mostrando que a maior parte dos conceitos aponta as causas da
Mudança Organizacional como sendo advento da incrível velocidade das mudanças
do meio externo: tecnológicas, políticas, sociais e econômicas. Possi (2006)
destaca os seguintes itens que influenciam o ambiente organizacional:
-A
globalização: tendo em vista fusões, aquisições e movimentações financeiras;
-A
revolução tecnológica: otimizando e transformando diversos processos;
-A
velocidade dos negócios: concorrência e pressão por diminuição de custos.
A partir
deste ponto, em diversas fontes, é mencionada a questão da sobrevivência da
empresa: para que a empresa se mantenha e não desapareça, a mesma deve se
adequar com certa velocidade a fim de responder às mudanças do ambiente
externo.
Para
HALL (2004) esta visão é míope, pois existem decisões de mudanças relacionadas
às metas organizacionais, definindo por fim que as mudanças estão relacionadas
tanto com o ambiente como com as metas. Schermerhorn (2005) também aponta esta
diferenciação, indicando que “as forças da mudança estão sempre presentes
dentro e ao redor das organizações”. Ou
seja, além das organizações precisarem se realinhar para se adequarem às
mudanças de seu ambiente de negócios, as empresas se modificam para conquistar
novas oportunidades.
Em
geral, pode-se definir Mudança Organizacional como a criação ou alteração de
processos organizacionais, independente de sua natureza (tecnológicos,
administrativos, políticos), fazendo com que os mesmos fiquem diferente daquilo
que as pessoas que fazem parte da organização consideram seguro, familiar e
prático. Estas alterações são executadas com o objetivo de otimizar tais
processos, gerar novos produtos, alcançar novas metas ou se adequar a
alterações ambientais, também de diversas naturezas, como por exemplo: política,
econômica, legislativa ou concorrência.
Para
Beer et. Al. (2003) pode-se categorizar as mudanças organizacionais em quatro
diferentes tipos:
-Mudança
Estrutural;
-Redução
de custos;
-Modificação
dos processos;
-Mudança
cultural.
Na
primeira categoria, os autores colocam as mudanças que influenciam as “peças”
funcionais da organização, sendo feitas de cima para baixo aonde se
reconfiguram as partes ou peças da empresa para obter um melhor desempenho,
como por exemplo, em aquisições, incorporações, fusões ou alterar ou excluir
investimentos em determinadas unidades departamentais. Neste modelo, enxerga-se
a empresa como uma “máquina” aonde se pode ajustar as “peças”.
Programas
de redução de custo, como o próprio nome indica, são processos de mudança
organizacional que eliminam uma atividade não-essencial, para diminuir o custo
relativo a esta atividade, ocorrendo em geral quando a empresa passa por um
momento de restrições orçamentárias.
Na
categoria de modificação de processos, os autores incluem toda e qualquer
mudança que visa tornar os processos mais rápidos, eficazes, seguros e ou menos
dispendiosos.
Por
último, as mudanças culturais afetam os recursos humanos da empresa, sendo as
mudanças de liderança um bom exemplo desta categoria, pois em geral influenciam
a maneira como seus funcionários irão realizar os negócios, relacionamentos
entre gerências e funcionários e até mesmo o modo de tratamento dos clientes.
Beer et.
al. (2003) propõem ainda dividir os objetivos que normalmente provocam uma
mudança em dois:
-aumento
do valor econômico da empresa em curto prazo;
-ampliação
dos recursos adicionais.
Os
professores Michael Beer e Nitin Nohria, da Harvard Business School, criaram
dois termos para descrever estes objetivos:
-Teoria
E: abordagem Econômica;
-Teoria
O: abordagem nos recursos Organizacionais.
Através
do estudo de diversos processos de mudanças, eles classificaram os objetivos
das empresas nestas duas categorias, porém os autores afirmam que as empresas
de maior sucesso, em geral utilizam uma mistura dos dois objetivos. Pois
simplesmente mudar visando uma rentabilização rápida, ou de curto prazo, sem
levar em conta o fortalecimento dos recursos internos está fadado a ser
problemática, assim como mudanças que apenas focam em ampliar os recursos
organizacionais, sem se atentar pelo aspecto econômico e gerar valor para os
acionistas, também tem maior probabilidade de fracasso.
Schermerhorn
(2005) também categoriza os tipos de mudanças em dois tipos: a mudança radical,
que é intensa e envolve a todos da organização, e a mudança incremental, que é
mais freqüente, menos abrangente e tem impacto menos traumático. Nesta mesma
linha, Abrahamson (2006) enfatiza que as mudanças devem ser “recombinações
criativas”, ou seja, reorganizar o que se tem, sem destruir tudo que existe,
que classifica como “destruição criativa”.
Ainda
segundo Schermerhorn (2005) a mudança ainda pode ser classificada como
planejada e não-planejada. A mudança não-planejada ocorre espontaneamente e
aleatoriamente. Já a mudança planejada é a reação após a identificação de uma
lacuna de desempenho (distância a situação real e uma situação). Observe-se que é desejável que a mudança seja
planejada, pois do contrário, não há controle e efeitos indesejáveis podem
surgir, na implantação do projeto.
Grande
parte dos estudos foca suas pesquisas e levantamentos no conteúdo ou nos contextos
externos que determinam as mudanças. A
abordagem a respeito de como conduzir as mudanças de forma a definir, planejar,
implementar e controlar é pouco observada na literatura atual. Uma das raras
exceções é pelo livro “Liderando Mudança” de Kotter (1997), onde é mostrado um
plano de ações de oito etapas, para se implementar com sucesso as mudanças
organizacionais. Outra referência é Possi (2006), que apresenta uma metodologia
semelhante ao do PMBOK (2004) e será amplamente explorado no capítulo 2.
1.2 – Gerenciar as
Mudanças Organizacionais
Segundo
Bensey (2004), o comitê do clube 100 maiores "IT Leaders",
corporações que utilizam recursos de Tecnologia da Informação para
implementações de sistemas gerenciais e de relacionamento com o cliente, do
jornal COMPUTERWORLD, aponta que mais de dois terços dos projetos falham no
processo de implementação. E antes ainda, na década de 90, Arthur D. Little,
uma das principais consultorias, mostrou que 70% dos programas de reengenharia
têm falhado pela falta de envolvimento e preparação das pessoas dentro do
processo de mudança organizacional.
Um
processo de mudança pode ser implementado a partir do desenvolvimento de um
projeto. Ou, ao contrário, o desenvolvimento de um projeto pode fazer com que
ocorram mudanças organizacionais. Se este projeto for implementado por
profissionais que seguem os padrões já estruturados, estudados e definidos tais
como gerenciamento do escopo, do tempo, dos custos, da qualidade, de
aquisições, etc., quase todos os fatores ligados diretamente ao projeto serão
conduzidos de forma a serem o mais otimizado possível.
Porém
quase sempre os fatores humanos são relegados ao segundo plano no processo da
mudança. Este é o ponto chave para o sucesso do projeto. Avgerou (2004) explica
que:
“Existe um fator que
constantemente é esquecido quando se imagina a implementação de um projeto de
TI que chamo de 'abordagem institucional'. São as relações políticas que
existem dentro de uma organização, a cultura e a história da empresa. São
fatores que os CIOs devem levar em conta na hora de implementar um sistema".
(Avgerou 2004)
Sabemos
que as organizações são compostas por pessoas, os projetos que serão
desenvolvidos para implementação das mudanças são feitos por pessoas, e são as
pessoas que deverão se adequar e garantir o funcionamento do novo processo. A
resistência humana à mudança é o ponto chave para que o processo da Mudança
Organizacional, a entrega do projeto, tenha ou não sucesso.
Segundo
Schermerhorn (2005), geralmente as mudanças resultam em resistência devido a
sete razões: medo do desconhecido, falta de boas informações, medo de perda da
segurança, nenhuma razão para mudança, medo de perda de poder, falta de
recursos e época inoportuna. Se as pessoas não tiverem o desejo da mudança desperto,
a resistência tácita ou explícita se instalará inevitavelmente, assevera Bueno
(1995).
Embora o
Gerenciamento de Mudanças ainda não esteja estruturado como um capítulo do
Project Management Body of Knowledge (PMBOK), muitos gerentes de projetos têm percebido
que não levar em consideração os aspectos humanos, como os relacionados acima,
poderá resultar em um projeto fracassado.
Da mesma
forma, como o Gerenciamento de Projetos possui técnicas e procedimentos
necessários às organizações no contexto atual do mundo dos negócios, a gestão
das mudanças também pode estar associada a técnicas estipuladas e seguidas,
garantindo com que todas as pessoas impactadas no processo serão envolvidas,
comunicadas e treinadas para que as mesmas aceitem e participem da mudança de
forma positiva.
1.3 - Pré-requisitos para a mudança
Para que
as mudanças ocorram satisfatoriamente, é necessário que sejam criadas as
condições para que sejam desejadas pelos “stakeholders”.
Chaves (2006) cita como dois pontos fundamentais a criação da propensão para a
mudança e superar as resistências para as mudanças.
Kotter
(1997) chama esta parte de preparativos como “descongelamento do status quo” e
as sub-etapas são o “estabelecimento de um senso de urgência”, “criação de uma
coalizão administrativa”, “desenvolvimento de uma visão e estratégia” e
“comunicação da visão da mudança”. Em resumo é mostrar para a organização que
as mudanças são muito necessárias, seja para melhoria ou sobrevivência, criar
uma equipe que realmente transmita que existe respaldo da alta administração
para as mudanças e que a liderança realmente acredite que as mudanças serão
benéficas. Para nortear as mudanças, deve-se criar uma visão de futuro clara e
objetiva e divulgar incansável e insistentemente esta visão.
Estas condições
são básicas para a implantação de sucesso, estão inter-relacionados e a falta
de um destes fatores pode fazer ruir todo o esforço. Devem ser feitas de modo
seqüencial, como se fossem tarefas “finish to start”.
Na
metodologia de Possi (2006), estas etapas de “descongelamento da organização”
já seriam parte do Plano de Gerenciamento da Mudança.
Os
estudos de Beer et al. (2003), indicam que as organizações precisam estar
"prontas" para que as mudanças ocorram de maneira satisfatória. Ele
define três condições básicas para determinar se a organização está pronta ou
não:
1 - Os
líderes precisam ser respeitados e eficientes para que as mudanças ocorram;
2 - Cada
indivíduo se sente pessoalmente motivado para mudar;
3 - A
organização é não hierárquica e as pessoas estão acostumadas a trabalhar em
equipe.
A
influência dos líderes é evidenciada quando as organizações são forçadas ou
necessitam mudar. Maus gerentes não serão capazes de manter os melhores
talentos nem motivar os colaboradores a extrair o máximo de seu potencial. Com
uma equipe pouco motivada e com performance medíocre, qualquer tarefa já seria
executada com uma dificuldade maior do que a esperada, maus líderes então podem
sabotar a empresa na hora que ela precisa da motivação, lealdade e habilidade
de seu pessoal.
A
segunda condição necessária é que os colaboradores se sintam pessoalmente
motivados a mudar os aspectos da organização às quais já estavam habituados.
Tais ações geralmente provocam reações, então a reação normal das pessoas é se
opor às mudanças, sendo necessário então motivar os indivíduos através de:
-
Utilizar informações sobre a situação competitiva da empresa para estimular a
discussão entre os funcionários;
- Criar oportunidades para os funcionários
expressarem seus problemas e seus temores para a gerência;
-
Estabelecer padrões elevados e esperar que as pessoas os alcancem, através de
metas audaciosas, porém factíveis, estimulando a todos sair do estado de
complacência com a situação atual.
Após
estimular o movimento, a organização deve também recompensar os esforços e as
etapas conquistadas, através de planos de remuneração de acordo com o
desempenho, bônus por metas alcançadas e após a conclusão do projeto de
mudança, uma política de remuneração para reter os talentos no novo "status quo" da organização.
O
terceiro e último ponto, é a importância da empresa não-hierarquizada. Nas
empresas hierárquicas, as decisões são tomadas de cima para baixo, no entanto
as pessoas resistem a mudanças impostas por pessoas que não estão familiarizadas
com o dia-a-dia das operações.
Estas
empresas tendem também a reprimir os funcionários empreendedores, que serão
muito úteis em tempos de mudanças, por sua criatividade e menor temor de correr
riscos propondo novas soluções. Outros problemas das empresas hierarquizadas
são a burocracia e a segurança que os "chefes" tem em suas estruturas
de poder. Mudanças para serem efetivas demandam a colaboração entre todos nos
diferentes níveis da organização, e elas precisam ter o conhecimento e poder
para executar esta tarefa.
Os
autores sugerem várias maneiras para desenvolver o hábito do trabalho
colaborativo em organizações fortemente arraigadas na hierarquia, entre elas:
-
Estender os processos decisórios para os níveis mais baixos;
-
Compartilhar informações livremente na organização;
-
Incentivar a comunicação em mão dupla;
-
Eliminar símbolos de poder e desigualdades desnecessárias;
-
Incentivar o gerenciamento participativo, e fazer os executivos se envolverem
mais com a operação do dia-a-dia, para estimular o companheirismo e
colaboração;
- E por
último, ajudar os colaboradores a entender as razões da mudança e trabalhar
junto para identificar o que e como mudar.
1.4 - Reações à mudança
Como
Beer et al. (2003) reforçam bem em sua obra, toda organização é um sistema
social complexo, em que seus participantes possuem identidades,
relacionamentos, comunidades, atitudes, emoções e poderes diferenciados, e
quando falamos em termos de uma mudança organizacional, todos estes fatores
devem ser levados em consideração. Os autores indicam três frentes
habitualmente encontradas, que definem como: a base, a resistência e os agentes
de mudança.
A base é
aquela maioria silenciosa que está habituada com o atual “status quo” da
organização. Fazendo um paralelo com as ciências naturais, encontramos a lei da
inércia, em que um corpo tende a permanecer parado ou em movimento constante
até que alguma força haja sobre ele, gastando “energia” para mudar as
características do movimento atual. Do mesmo modo as pessoas vão precisar que
se gaste “energia” para que elas mudem seu atual estado de ser, suas rotinas,
seus padrões de comportamento, ou seja, os procedimentos atuais que a
organização está habituada.
Beer et
al. (2003) começa a sua definição sobre “resistência” usando uma frase de
Maquiavel: “O reformador tem inimigos em todos aqueles que se beneficiam da
ordem antiga”. O que valia para as tramas do poder na idade média vale também
para nossas modernas organizações. Todo aquele que achar que sairá perdendo,
tanto em termos de poder, influência, salário, cargo ou controle, será um forte
opositor às mudanças na organização. Esta resistência poderá ser tanto passiva,
com uma falta de comprometimento com o cronograma ou metas do projeto de
mudança, quanto pode se representar como uma oposição direta ou mesmo sabotando
o projeto.
Felizmente
para compensar os dois grupos anteriores, temos os “agentes da mudança”. Estes
indivíduos quando identificados, ajudarão a promover as mudanças, sendo até
mesmo catalisadores do processo. São os membros do grupo que ajudam a
identificar os problemas e convencer os demais a enfrentá-los. Os autores
apontam ainda as seguintes características destes agentes. São capazes de:
-expressar
as necessidades de mudança;
-serem
aceitos pelos demais como confiáveis e competentes para passar a “mensagem” de
que a mudança é necessária;
-ver os
problemas do ponto de vista da “base”;
-motivar
os demais para a mudança.
1.5 – Por que
Gerenciar Mudanças faz Diferença?
Como
vimos na revisão bibliográfica neste capítulo, mudanças organizacionais causam
grandes impactos na empresa enquanto uma entidade social complexa. As mudanças
influenciarão e serão influenciadas pelas pessoas que fazem parte desta
organização. Então uma das melhores maneiras de otimizar as chances de sucesso
de um projeto que cause um grande impacto organizacional é conhecer e aplicar
métodos que levem estes fatores em consideração.
Considerando-se
que os impactos das mudanças organizacionais, oriundos de um projeto, podem
fazer com que determine o seu sucesso ou fracasso, estes devem ser gerenciados
com muita proximidade.
Como
"não se pode administrar o que não se pode medir", é essencial que se
tenha o conhecimento dos impactos que o projeto causará na organização, assim
como as respostas a estes impactos, mesmo assim certamente ocorrerão desvios
nos efeitos planejados. Então, sem o conhecimento dos impactos e sem a gerência
dos mesmos, os efeitos tendem a ser catastróficos, pois não haveria nenhum
planejamento, nenhuma proposta, tudo seria surpresa.
Os
impactos na verdade são riscos ao projeto, então, deve-se listá-los, analisar
quantitativamente, elaborar o plano de respostas e acompanhar a evolução.
Gerenciar
as mudanças que estão freqüentemente ocorrendo na organização é a chave para um
projeto bem sucedido. Se utilizar de técnicas e ferramentas já estudadas e
testadas é o caminho mais correto e seguro para este fim.
O
Gerenciamento de Mudanças faz diferença, pois aumenta a probabilidade de um
projeto ser finalizado alcançando seus objetivos com o menor esforço na
resolução de problemas gerados pela resistência ao mesmo, pois apesar dos
avanços tecnológicos observados nestes últimos tempos, os projetos ainda sim,
são executados por e para pessoas.
OS PROCESSOS DA MUDANÇA ORGANIZACIONAL
“Precisamos aprender - como indivíduos e como
organizações - a dar as boas vindas para
as mudanças e para as inovações, com o mesmo vigor com que lutamos contra elas
no passado.”
Tom Peters
2.1 – Propostas e Metodologias
As
estratégias utilizadas para incorporar a mudança organizacional serão usadas
pelos agentes da mudança para realizar as alterações necessárias de forma
eficaz e definitiva. Por isso a importância de definirmos um modelo a ser seguido,
baseado em experimentações e análise de resultados.
Analisando-se
os vários textos existentes sobre o assunto, conclui-se que existe uma
convergência entre os autores sobre os processos necessários para a implantação
de projetos.
Verificou-se
a existência de diversos formatos de estratégias, mas a mais interessante é a
estratégia sugerida por Possi (2006), pois modela a implementação em conjunto
com as fases e modelos do PMBOK (2004).
Adiante
faremos uma apresentação e explanação deste modelo, integrado a outras fontes e
observações de diversos autores, objetivando mapear, unir e definir as melhores
técnicas identificadas até o momento.
2.2 – A estratégia incorporada ao PMBOK
Como já
comentado anteriormente, a grande barreira para a implementação da mudança é a
resistência que só será administrada eficazmente se é reconhecida cedo nos
processos do gerenciamento do projeto.
Não se
trata de mudanças no escopo do projeto, mas sim, verificar quais são as
mudanças que serão decorrentes da implementação do projeto e os impactos nos
"stakeholders", analisá-los e
planejar para que as conseqüências sejam as mais suaves possíveis. Por isso é
indispensável que os gerentes de projetos tenham sempre isso em consideração ao
iniciar um projeto. A administração da mudança deve ser sempre incorporada de
forma natural aos processos já definidos e estudados do PMBOK (2004).
2.3 – Iniciação
Como
mencionado anteriormente, quanto mais cedo a identificação da mudança for
executada, mais eficaz será o seu controle.
Nesta fase
do projeto, além dos processos normais de gerenciamento de projetos, para o
gerenciamento da mudança, faz-se o levantamento dos impactos da mudança,
baseado no termo de abertura do projeto e nos fatores ambientais da empresa.
Para isso é estudada a cultura organizacional, não somente através de
documentos e publicações nas políticas, missão e visão da empresa, mas é
preciso também avaliar através de contato direto com as pessoas da organização.
Isso pode ser feito através de entrevistas e "workshops"
com os "stakeholders". O
levantamento das áreas que serão impactadas com a mudança também é outra
ferramenta que auxiliará no documento final que servirá de base para a nova
fase, que é a "Declaração dos Macroimpactos Gerados", onde devem
estar os processos e áreas que serão afetadas, o ambiente físico e ambiente de
trabalho que serão impactados.
Nesta
fase de avaliação dos impactos das mudanças, há uma certa unanimidade de que
não há mudança sem dor, como citado por Kotter (1997) e Belasco (2005), que até
incentivam que a dor seja ressaltada como um meio de se motivar a mudança,
porém Abrahanson (2005) cita as maneiras de se minimizar a dor da mudança, com
a "recombinação criativa", processo em que as mudanças são geradas de
maneiras menos impactantes, não se destruindo tudo o que existe, mas
recombinando os métodos. É uma abordagem interessante que deve ser considerado
na avaliação dos impactos das mudanças.
|
Com
isso temos o seguinte modelo baseado no PMBOK (2004) para esta fase:
|
2.3 – Planejamento
Já temos
uma visão macro do impacto das mudanças. Agora no grupo de planejamento,
analisa-se a “Declaração dos Macroimpactos Gerados” (documento resultante da
fase anterior), juntamente com da “Declaração de Escopo” do projeto, para se
definir o quê, como e quem serão impactados em termos de processos
organizacionais e estrutura, em termos de pessoas e em termos de cultura.
2.3.1 – Planejamento da Mudança
O
resultado da aplicação das técnicas e ferramentas no planejamento de mudanças é
o "Plano de Gerenciamento da Mudança", onde estão detalhadas as
áreas, a cultura e valores que serão atingidos pelas mudanças e as tarefas
necessárias devem ser incorporadas no escopo de projeto, no gerenciamento do
tempo e recursos.

Figura 2 – Fase Planejamento 1 - Processo:
Planejamento da mudança
2.3.2 – Alinhamento da Equipe
Outro
ponto destacado é a integração da equipe de projeto, chamado de
"alinhamento da equipe", onde é destacado que os integrantes da
equipe de projeto devem "comprar a idéia" e "vestirem a
camisa" e serem os principais agentes de mudança. As ferramentas e
técnicas que podem ser utilizadas devem estar baseadas na comunicação,
ambiência, capacitação e alinhamento organizacional.
Em
termos de comunicação, está alinhado com o que o PMBOK (2004) trata no Capítulo
10 - Gerenciamento da Comunicação, que é o fornecimento das informações
necessárias aos "stakeholders",
no momento adequado e também está de acordo com Kotter (1997) que trata da
divulgação da visão e informações, de modo geral e irrestrito.
Para a
distribuição de informações do projeto, os gerentes de projetos devem estar
atentos às principais barreiras de comunicação, segundo Chaves et. al. (2006),
como a distribuição geográfica da equipe, políticas e regras da organização, os
diferentes graus de conhecimento técnicos e principalmente que está lidando com
indivíduos e grupos com diferentes habilidades e concepções. Não deve ser
diferente quando o gerente do projeto e os demais agentes de mudança estiverem
lidando com a disseminação das informações sobre as mudanças ocasionadas pelo
projeto. Talvez esta preocupação deva ser até maior, pois não se estará lidando
apenas com a equipe do projeto, e sim com todos os indivíduos da organização
que farão parte desta mudança.
Chaves
(2006) propõe um modelo aderente com outros autores, de fases de gerenciamento
de mudanças PDCHI, inspirado no ciclo PDCA ("plan-do-check-act"
ou planejar-fazer-verificar-agir). Neste caso o "P" é de Percepção da
necessidade de mudança e se enquadra neste ponto de distribuição da informação
e alinhamento da equipe, ou seja, nesta fase quando todos os impactados serão
convidados a entender o por quê da mudança.
Para
Bueno (1995) este momento de criar a percepção nas pessoas é crucial, pois as
pessoas tendem a oscilar entre a concordância e a discordância neste ponto. Se
o processo de sensibilização for feito adequadamente o nível de resistência
será menor, porém não será eliminada, lembra o autor.
Ainda neste
plano, para Schermerhorn (2005) a mudança planejada apresenta três fases, sendo
a primeira chamada de “Descongelamento”. Esta fase se caracteriza pela
preparação à mudança, facilitada por pressões externas, queda de produtividade
e reconhecimento de um problema. Geralmente esta fase é pulada e isso acarreta
no problema de falta de preparação das pessoas para aceitar a próxima fase.
A
ambiência e a capacitação estão referenciados no capítulo 9 do PMBOK (2004),
porém a abrangência dada por ele se restringe à equipe de projeto, enquanto que
na abordagem de Possi (2006) a capacitação deve atingir todos que forem
detectados que serão afetados pelas mudanças e necessitam de treinamento.
Kotter (1997) vai além do treinamento dos funcionários com um empowerment dos mesmos, para que haja a
eliminação dos obstáculos e estruturas que minem a visão de mudança e
encorajamento para correr mais riscos e utilizar idéias, atividades e ações não
tradicionais.
A
ambiência é tratada com pesquisas de clima e um plano de ações no sentido de
melhorias e muita comunicação.
Faz
parte deste processo, o desenvolvimento de uma visão para o futuro da
organização, que Kotter (1997) considera como essencial. É como a visão de uma
empresa, num processo de mudança, a visão mostra a direção a ser seguida,
motiva as pessoas a tomar medidas corretas e ajuda a coordenar as ações de
pessoas de maneira rápida e eficiente. Com a visão bem-definida, ações que não
atendem à visão são eliminadas e canaliza-se os esforços para a direção
desejada. Esta visão deve ser simples, imaginável, desejável, viável, focada,
flexível e comunicável, para que todos os envolvidos entendam e desejem as
mudanças e deve ser desenvolvida pela equipe de condução das mudanças.
Kotter
(1997) também ressalta a formação de equipes, não grupos, com componentes do
alto escalão e especialistas que transmitam credibilidade e liderança. Neste
ponto, ressalte-se que a liderança é o fator principal.
"Liderança é um conjunto de processos que cria organizações em
primeiro lugar ou as adapta para modificar significativamente as circunstâncias
[...] Gerenciamento é um conjunto de processos que podem manter um sistema de
pessoas e tecnologias funcionando satisfatoriamente" (Kotter
-1997)
Ou seja,
gerenciamento está relacionado com a rotina e a liderança está para as
mudanças. Lembra que na equipe devem ser evitadas as pessoas com ego grandes e
os relutantes, que são pessoas que dificultam a formação de uma equipe eficaz,
que transmita confiança e trabalhe por um objetivo comum.
Ainda no
modelo de fases de gerenciamento de mudanças PDCHI de Chaves (2006), define o
"D" de Desejo de participar e suportar a mudança, detalha o
"C" de Conhecimento para saber como mudar.
Como
resultado desta sub-etapa de planejamento, temos o "Plano de Ambiência"
onde estão as ações a serem implementadas no decorrer do projeto, para se obter
um clima cada vez melhor e um cronograma de evento e um time integrado.

Figura 3 – Fase Planejamento - Processo: Alinhamento a
Equipe
2.4 – Execução
Para
Possi (2006), no grupo de execução, tem-se a preparação para a mudança onde com
base no "Plano de Gerenciamento da Mudança" e "Plano de
Ambiência" inicia-se o trabalho propriamente dito, de divulgação,
treinamento e implementação das mudanças.
Neste
momento é que a implementação da mudança realmente começa a acontecer, pois
este processo ocorre em paralelo à execução do projeto. Todos os itens
definidos no Plano de Gerenciamento de Mudanças serão colocados em prática.
Além de
se executar as mudanças técnicas ou comerciais necessárias, a essência desta
etapa é colocar em prática os planos gerados no planejamento, praticando a
comunicação, influenciando os formadores de opinião, treinado as pessoas
necessárias.
Como
ferramentas para a preparação da mudança, tem-se a divulgação da visão de
mudança, com "workshops"
e "Road-shows" onde se enfatiza os
benefícios das mudanças, se evidencia a divulgação da visão. Fase extremamente
importante segundo Kotter (1997).
Kotter
(1997) ressalta ainda que nesta fase deve-se comunicar eficazmente a visão do
projeto, pois o poder real da visão é revelado quando a maioria tem um
entendimento comum dos objetivos e da direção. Esta comunicação deve ser
simples, sem o uso de jargões e expressões técnicas, utilizar-se de metáforas,
analogias e exemplos, ser difundida por todos os meios de comunicação
disponíveis na empresa, ser insistente e até repetitivo, fazer com que a
liderança tenha um comportamento compatível com a visão, mostrar publicamente
que os pontos de inconsistência estão sendo eliminados e ser em duas vias,
verificando a compreensão e esclarecendo os pontos de dúvidas.
Nas
fases de "estabelecimento de um senso de urgência" e "criação de
uma coalizão administrativa", é mencionado que as mudanças devem ser
apoiadas pela alta administração e que um grupo multifuncional, com
representatividade dentro da empresa, deve ser estabelecido.
No
processo de iniciação, citados no PMBOK (2004), os projetos relevantes de
acordo com o planejamento estratégico são escolhidos, portanto temos no termo
de abertura todo o respaldo da alta administração em relação à importância do
projeto. Além de termos um certo poder incumbido à da equipe de projeto, pois
além dos patrocinadores, temos mencionado no Termo de Abertura o gerente de
projeto e o corpo técnico que conduzirá o projeto está sendo delineado. Esta é
uma “arma” importante no momento da divulgação do projeto.
Kotter
(1997) ainda explicita que se deve ressaltar as necessidades que levam às
mudanças, evidenciando às pessoas que existe uma urgência (prioridade) muito
alta, pois se não for desta maneira, não será dada a devida importância. Para
uma mudança bem-sucedida, um percentual de cerca de 15% da força de trabalho
que vai ser atingida deve ser mobilizada.
As
fontes geradoras de ausência de urgência são principalmente os sucessos
anteriores, ausência de crises aparentes, o otimismo exagerado nas avaliações,
e a própria natureza humana, que se recusa a mudar, ou seja, diminuem o
comprometimento com a mudança a ser implementada atualmente.
Para que
o senso de urgência aumente, é necessário remover os sinais de sucesso,
divulgar a real situação da empresa em relação ao mercado para a força de
trabalho, mostrar as perspectivas, com uma comunicação mais direta e objetiva e
numa ousadia maior, até provocar uma crise, pois nos momentos de crise é que há
uma mobilização maior.
Neste
aumento da urgência, as gerencias médias e inferiores devem possuir autonomia
para participar e decidir ativamente, incentivando a urgência na sua
abrangência de atuação, disseminando a nova visão.
Neste
mesmo sentido, Belasco (2005) faz um paralelo entre os elefantes de circo e os
funcionários das empresas. Os elefantes, quando pequenos, são amarrados a uma
estaca e aprendem a permanecer no lugar e mesmo depois de adultos, quando já
teriam a força física suficiente para arrancar a estaca, não saem mesmo que não
exista a corrente, apenas se estiver com a pulseira de metal. Porém quando os
elefantes vêem fogo ou sentem o cheiro de fumaça, se esquecem do
condicionamento e se movem. O autor sugere que se provoquem alguns incêndios e
fumaças, pois as pessoas se movem apenas com muita dor.
Neste
ponto ainda se verifica o que o modelo “PDCHI” de Chaves (2006), detalha para o
"H", de Habilidade. Para se implementar os "skills"
e comportamentos requeridos, as pessoas impactadas e que deverão executar novos
processos, ou até mesmo os mesmos processos, porém com diferentes técnicas e
ferramentas, precisarão ser treinadas para isso. Deve-se planejar quais serão
os treinamentos adequados, quem são as pessoas que devem faze-lo e qual o
momento mais adequado para isso.
Para a
implementação de uma mudança planejada, Schermerhorn (2005) ainda cita três
tipos de estratégias que podem ser aplicadas. A Força-Coesão quando o agente da
mudança se utiliza de seu poder e autoridade, através de oferecimento de
recompensas ou aplicação de penalidades. Nesta estratégia a utilização dos
novos processos é temporária caso as recompensas ou penalidades não sejam
mantidas de forma a serem sempre buscadas ou temidas.
A
estratégia de Persuasão Racional é utilizada quando as pessoas envolvidas são
convencidas pela razão e pelo interesse quanto à mudança. As pessoas
identificam uma situação melhor que a atual. A mudança tende a ser mais
duradoura com esta estratégia do que quando é aplicada pelo método da
Força-Coesão.
E por
último temos a estratégia do Poder Compartilhado, que envolve as pessoas
ativamente nos processos de análise e decisão sobre a mudança.
O
resultado que se obtém deste processo é a aceitação e comprometimento com a
mudança e, uma equipe ainda mais integrada.

Figura 4 – Fase Execução - Processo:
Preparação para a mudança
2.4 – Controle
No grupo
de controle, verifica-se a eficácia das ações contempladas nos planos de
Gerenciamento da Mudança e de Ambiência através dos índices de comprometimento
e aceitação das mudanças. Avalia-se a
aceitação da nova realidade e o comprometimento dos envolvidos.
Isso é
realizado através de índices levantados através de pesquisas e outras
ferramentas de feedback verificando-se
como está a percepção das pessoas quanto às mudanças que estão sendo
implantadas. Entre as ferramentas de feedback
que podem ser implementadas temos: verificação do índice de utilização, índices
de reclamação (criando-se um canal de ouvidoria).
Como
saídas deste grupo, temos os Relatórios de Comprometimento com a mudança, o
Relatório dos Impactos Esperados e as Ações Corretivas, que devem ser tratadas
como preconizado no item 4.6 do PMBOK (2004).
Com
estes resultados pode-se passar por um replanejamento das ações que devem
continuar sendo executadas, pois uma vez verificado que os resultados esperados
não estão sendo atingidos, deve-se implementar reforço de comunicação, novos
treinamentos, verificar se todas as atividades planejadas foram executadas,
etc.
O
Relatório dos Impactos Esperados analisa se as mudanças e respectivos impactos
listados no "Plano de Gerenciamento de Mudanças" está se comportando
conforme o previsto ou não e que ações devem ser tomadas, em caso de
divergência, gerando as "Ações Corretivas". Este processo deve ser
contínuo e executado ao logo da execução do projeto.

Figura 5 – Fase Controle - Processo:
Controle do Gerenciamento da Mudança
2.5 – Encerramento
No grupo
de encerramento, segundo Possi (2006) trata-se da desmobilização dos recursos
da equipe, como trata o PMBOK (2004). Deve-se haver um estudo da equipe atual
do projeto, para com isso realizarmos a realocação consciente e otimizada de
cada um dos recursos.
Precisa-se
ser analisada as necessidades de realocação e executa-la de forma a não perder
o conhecimento gerado pelos projetos, para isso deve-se aplicar em conjunto
ferramentas para as lições aprendidas, que apesar de serem em formato de
reuniões, devem ser documentadas para referências futuras.
Outros
dois pontos não abordados por Possi, mas que Kotter (1997) ressalta como
importante e que deve ser gerido pela Comunicação e Recursos Humanos é que a
comemoração das realizações de conquistas em curto prazo, onde os primeiros
resultados que forem obtidos com as mudanças, devem ser amplamente divulgados,
para que se mostre à organização que o caminho que está sendo trilhado é o
correto.
Chaves
(2006) no processo PDCHI cita o "I" como Incentivos para se sustentar
à mudança, para que não haja retrocessos, assim com Kotter (1997) no capítulo
"Estabelecimento de Novos Métodos na Cultura" ressalta que é
necessário esforços para se manter as mudanças, evidenciando que há um melhor
desempenho, e que este desempenho é devido aos novos comportamentos, sendo esta
etapa final fundamental para estabelecer as mudanças na cultura da corporação.
Os
resultados não devem ser guardados, pois servem como forças motrizes que
incentivam mais os que já aderiram e faz com que os críticos e indecisos tenham
a força reduzida ou venham a se unir à equipe de implantação das mudanças. Uma
divulgação tardia não terá o mesmo efeito que quando feito nos primeiros
resultados e estes podem facilitar para se aumentar à pressão das mudanças.
Outra
observação de Kotter (1997) é que quando os resultados finais do projeto
estiverem quase sendo alcançados, não se deve comemorar com antecedência, como
se tudo já estivesse acabado. As forças para que os processos pré-mudança
retornem estão sempre à espreita, e se a pressão para se manter a mudança for
retirada, pode ocorrer um retrocesso.
Nas três
fases da mudança planejada proposta por Schermerhorn (2005), estaríamos na fase
nomeada “Recongelamento”, que é quando a mudança é institucionalizada e os
progressos, resultados e avaliações dos novos processos são aplicados.
Em
resumo, para que um projeto que resulte em uma mudança organizacional de porte,
os grupos de processos descritos no PMBOK (2004) proporcionam uma boa
referência, quando tratados como um item semelhante a riscos para o projeto. Porém,
alguns grupos de processo devem ser expandidos, como o desenvolvimento e a
divulgação maciça de uma visão para o projeto (planejamento de comunicações),
extensão do treinamento para todos os "stakeholders"
do projeto (RH) e uma fase de consolidação das mudanças, para que todos os
esforços despendidos não caiam por terra após algum tempo de implantação.

Figura 6 – Fase Encerramento
- Processo: Desmobilização de Recursos
OS IMPACTOS DA MUDANÇA ORGANIZACIONAL
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Muda-se
o ser, muda-se a confiança.
Todo
o mundo é composto de mudança,
Tomando
sempre novas qualidades.”“.
Camões, “Rimas”.
A
Mudança Organizacional é um tema cada vez mais presente no cotidiano das
empresas e na literatura acadêmica. Segundo Abrahamson (2004), a disciplina
começou a ganhar importância na década de 70, porém as empresas só começaram a
tratá-la com maior seriedade na década seguinte. Até então, o cenário era de
grandes empresas num ambiente de tranqüilidade, conquistado a partir do domínio
do mercado no pós-guerra. Isso as levou a não promoverem as mudanças
necessárias para que se mantivessem competitivas nos anos 80 e 90, quando as
teorias de qualidade e marketing alçaram diversas novas empresas à condição de
competidoras a nível mundial.
Emblemático
desse contexto é o caso da IBM, que implementou na década de 90 um grande
processo de mudança organizacional por intermédio de sua política de qualidade
Market Drive Quality. Analisando o caso IBM a partir de sua subsidiária
brasileira, Vasconcelos (1993) cita que nas décadas de 70 e 80 as empresas
passaram a considerar a qualidade uma questão de impacto estratégico, o que
passou a envolver a preocupação dos níveis superiores da organização. Para a
IBM, houve uma mudança na cultura organizacional de forma a seguir credos
básicos criados pelo fundador Thomas Watson, fundamentos que constituíam a
identidade da empresa.
Ao
analisar a Market Drive Quality, Vasconcelos (1993, p. 89) diz que:
“A criação da nova "Nova IBM" é [...] legitimada pelos mesmos
princípios que mantinham o antigo modelo organizacional proposto, princípios
estes, no entanto, reinterpretados na criação de um novo paradigma, que
pretende ser uma resposta organizacional às dificuldades do ambiente, para
fugir à "morte", reproduzindo as palavras dos próprios estrategistas
internos, em uma visão sistêmica.”
No setor
de varejo, não há caso mais significativo do que a profunda transformação que
sofreu a Sears, Roebuck and Company na década de 90. Fundada em 1886 e líder no
setor durante décadas, a empresa se viu ameaçada pela expansão acelerada de
redes como Wal-Mart, The Limited e Circuit City.
Neste
setor, desde a década de 70, diversas empresas adotaram uma estratégia de
expansão acelerada, inspiradas nas projeções de aumento da população de
consumidores. O resultado foi que o mercado se tornou saturado e, na década de
90, houve um número considerável de fechamento de lojas. Como descreve
Hallowell (2002), as ações de fusão no setor de lojas de departamento de tornou
enorme.
A
chegada do novo CEO, Arthur Martinez, significou uma revolução na corporação.
De início, as novas soluções propostas falharam. Várias ações foram
introduzidas, para serem abandonadas depois de poucos meses. Todas ficaram
conhecidas como “iniciativas fracassadas”. Não se tratava apenas de reação
contra a mudança. A empresa poderia não estar preparada para sua execução
(distribuição e marketing não conseguiriam dar seguimento). Depois de algum
tempo, a organização passou a não acreditar nas novas idéias.
Em
resumo, em grande, escala, chegou-se à conclusão que a empresa estava inebriada
“pelo seu próprio sucesso”. Havia a tendência em se reforçar as velhas
práticas, com pouca atenção para o que estava acontecendo ao redor da própria
empresa. “O tamanho e a história da empresa contribuiu para um foco no interior
da empresa. De acordo com um grande executivo, isso pode ter levado a empresa
ao seu maior erro competitivo nos anos 1970 e 1980: ignorar a Wal-Mart” (HALLOWELL,
2002).
O
resultado foi a pior performance em
muitos anos, constatada em 1992, quando ficou posicionada atrás da Wal-Mart e
da K Mart. A chegada de Martinez, no mesmo ano, levou ao deslocamento de 6.000
funcionários de Chicago, por considerações econômicas e culturais.
Tomou-se
a decisão de adotar cinco iniciativas estratégicas: 1) Focar no core business (varejo), o que levou ao fechamento de
empresas abrigadas dentro do grupo; 2) Tornar a Sears uma empresa mais atrativa
para se fazer compras; 3) Priorizar o mercado local; 4) Melhorar a
produtividade e diminuir os custos da estrutura; 5) Desenvolver uma estrutura
“vencedora”.
Para
implementar e desenvolver essas iniciativas, fez-se um planejamento em três
etapas: 1) Fase de estabilização, que levou à contratação crescente de quadros
fora do âmbito da organização, e em que se enfatizou a necessidade de não se
diminuir a importância da herança e do passado grandioso da organização; 2) A
fase de revitalização, com a criação de novas unidades de serviço (casa,
automóveis, móveis, por exemplo); 3) E a fase de crescimento, que a levou a se
consolidar como a segunda rede de varejo dos Estados Unidos, atrase apenas da
Wal-Mart, com 820 lojas de departamento em escala nacional, sendo que 470
haviam sido inteiramente renovadas. O faturamento cresceu 9,3 %, para US$ 38
bilhões. E o lucro cresceu 24%, para US$ 1,3 bilhão.
Para se
chegar a esse resultado, a empresa passou a estimular o encontro de executivos,
no que ficou conhecido como o “Phoenix Team”. “Resultou na primeira vez que o
grupo foi reunido. A ‘velha’ Sears era caracterizada por uma falta de
compartilhamento de informações entre os indivíduos e os altos executivos,
assim como com o resto dos gerentes” (HALLOWELL, 2002).
Os altos
executivos estavam acostumados a proferir discursos escritos, de um púlpito.
Isso mudou para encontros regulares, onde os executivos se dividiam em
subgrupos e se dedicavam a tentar solucionar problemas práticos.
A nova
mentalidade, direcionada para o atendimento das novas necessidades dos
consumidores, teve êxito. Levou, porém a um questionamento. Uma nova queda de
performance, no final dos anos 90, obrigou os altos executivos a refletirem
sobre a incorporação de novos valores à empresa. Basta uma revolução de
procedimentos administrativos ou é necessário internalizar uma nova cultura,
assumindo que a mudança permanente precisa ser incorporada à escala de valores?
Se a empresa parecia precisar de um “respiro” depois de uma grande
transformação, o resultado final parecida indicar que havia ao final uma nova
necessidade, a de se assumir que um padrão de transformação contínua passava a
se impor.
3.1 – Mudança de Ordem Cultural
A
primeira grande onda de mudança observada nas grandes empresas foi de ordem
cultural. Foi necessário quebrar diversos paradigmas para dar-lhes
competitividade. De acordo com Abrahamson (2004), havia se instalado nas
organizações um ambiente extremamente nocivo, onde jovens executivos eram
promovidos baseados em apadrinhamentos. E, por sua vez, trabalhavam para
defender os projetos de seus padrinhos. Com isso, a alta gerência das grandes
empresas estava debilitada, carente das competências necessárias em seus
executivos para enfrentar a onda asiática que viria a surgir. Muitas empresas
se viram incapazes de mudar frente a esse cenário, levando-as à falência. As
que conseguiram se transformar, fizeram isso com base na “destruição criativa”
(ABRAHAMSON, 2004), uma teoria segundo a qual “é preciso primeiro destruir
antes de se poder construir”. A idéia é que antigos valores deveriam ser
expurgados para que se fosse possível construir algo novo, voltado às novas
necessidades e desafios da empresa.
Um
exemplo de mudança organizacional cultural num ambiente assim é dado por
Abrahamson (2004):
“O ano era 1992, mas poderia muito bem ser 1892. A cultura corporativa
da Consolidated Edison of New York, Inc. era uma caricatura da cultura
corporativa predominante durante a revolução industrial. As gerências
valorizavam as boas e velhas técnicas de comando-e-controle. A tomada de
decisão era tipicamente centralizada. Exércitos de burocratas em ternos escuros
na esparramada sede da empresa em Nova York decidiam rotineiramente sobre tudo,
de grandes estratégias à decoração do escritório. Para esses "aspones
corporativos", a Con Edison nada mais era que uma máquina industrial e os
funcionários, reles engrenagens que produziriam trabalho com base em diretrizes
claras, com política "carrot and stick" (cenoura e chicote),
incentivo financeiro ou ameaça de demissão. Não surpreendentemente, essa
cultura abrigava muitos papéis informais – o funcionário como agitador, por
exemplo, ou funcionário como sabotador.
Como a Con Edison tornou-se esse anacronismo vivo? Todos conhecemos a
história. A Con Edison era um monopólio regulamentado há décadas. Então veio a
desregulamentação dos serviços de utilidade pública. A Con Edison se deparou
com um ambiente muito mais complexo e dinâmico, cheio de destruição criativa do
tipo Enronico.
Entrou um novo CEO inclinado a mudanças culturais. A antiga gestão
tinha valorização na cultura antiga. A nova cultura valorizava um equilíbrio
entre gerência e liderança: seria normal os funcionários se conferirem
autonomia, inovarem e atuarem empreendedoramente para levar suas inovações ao
topo da hierarquia. Na cultura antiga, cada unidade e subunidade maximizavam
seus próprios interesses, freqüentemente à custa da empresa inteira. Na nova
cultura, cada unidade valorizaria os interesses coletivos da companhia.
Para esse fim, um treinamento em larga escala foi implementado em cada
nível da empresa. Recrutamento, avaliação, recompensas, processos, estruturas –
tudo foi redesenhado com a meta de destruir a cultura antiga e criar uma nova.
Poucos anos depois de iniciada essa revolução, o resultado de uma pesquisa
avaliando a mudança cultural dirigida para maior agilidade, inovação,
empreendedorismo, autonomia e espírito coletivo foi apresentado. A pesquisa
mostrou uma mudança praticamente imperceptível nos fatores que medeiam a
mudança cultural na Con Edison.
Para seu crédito, a Con Edison persistiu nesse curso de transformação
cultural, ao longo do mandato de vários CEOs. Hoje, a Con Edison é a imagem da
inovação, empreendedorismo, agilidade e autonomia. Mesmo assim, a mudança foi
extremamente lenta e complicada; e sempre existe a probabilidade de que sem um
esforço sustentado a empresa regrida para sua antiga cultura ‘de cima para
baixo’. "
As
mudanças de cunho cultural costumam ser bastante dolorosas, pois afetam a fundo
a maneira da empresa ser, seja internamente ou em suas relações com a
sociedade. Como a cultura de uma empresa é a expressão coletiva de seus
funcionários, muitas vezes tem-se um número muito alto de demissões por conta
desse tipo de mudança. Por mais que sejam adotadas técnicas para diminuir seu
impacto negativo, muitos funcionários podem pular do barco a partir do momento
em que não concordem mais com a nova cultura que está se arraigando. Esse êxodo
pode potencialmente levar também pessoas-chave da organização, líderes e
detentores de conhecimento vital para empresa, seja em relação a seus processos
ou em relação ao seu histórico. Torna-se importante, portanto, um plano
especial no âmbito da Gerência de Mudanças que identifique essas pessoas-chave
e as traga para a posição de
"advogados da mudança".
3.2 – Mudança Estrutural
Uma
outra forma de mudança organizacional com impactos comparáveis aos de uma
mudança cultural diz respeito à estrutura da empresa. Mudanças estruturais –
como fusões e aquisições –, assim como as culturais, têm caráter dramático e
necessitam de uma Gerência de Mudanças bem estruturada, de acordo com Chaves
(2007). Por seu teor radical, de ruptura, esse tipo de mudança tem maiores
chances de dar certo a partir do momento em que o time de Gerência de Mudanças
possui amplo apoio, político e financeiro, para efetuar as ações necessárias.
Um
exemplo de mudança organizacional estrutural é dado por Abrahamson (2004):
“A Exide Corporation, o maior produtor do mundo de baterias automotivas
e industriais, estava presente em 89 países – isto é, após uma orgia de
aquisições na década de 90 que resultou em um crescimento de 2 bilhões de
dólares nas vendas entre 1992 e 1996 e em uma participação de 36% na indústria
global de baterias. Entretanto, esse "período de crescimento" gerou
decepcionantes 20 milhões de dólares de lucro em 1997.
Em dezembro de 1998, um novo CEO entrou em cena: Robert A. Lutz, antigo
vice-presidente e vice-chairman da Chrysler, um dos executivos com grande
crédito por salvar a fabricante de automóveis da falência na década de 90. Lutz
era um ex-piloto da Marinha norte-americana apaixonado por velocidade. Na
verdade, seu livro publicado em 1998, "Guts: The Seven Laws of Business
That Made Chrysler the World’s Hottest Car Company", exalta as virtudes da
mudança à velocidade da luz por destruição criativa. Lutz iniciou sua gestão na
Exide perguntado sobre os problemas da companhia. Ele ouviu dos concorrentes e
clientes que "seus gerentes gerais estavam exportando entre seus
países", criando sua própria concorrência desleal de preços baixos. Os
gerentes gerais individualmente, por outro lado, culpavam a queda nos preços
pelo declínio dos lucros da companhia.
A resposta de Lutz ao problema foi tipicamente grande, audaciosa e
devastadora: uma reorganização substancial que destruiria a estrutura
geográfica de longa data da companhia. Os processos de negócio que atendiam a
uma área geográfica em particular não estariam mais nas afiliadas comandadas
por um gerente geral. Em vez disso, todos os processos de negócios relativos a
um produto ficariam em uma divisão abrangente de produto comandada por um
executivo responsável por aquela classe de produtos. O argumento de Lutz era
que uma estrutura de produto como esta melhoraria a coordenação da
precificação, cortaria os custos padronizando a manufatura e eliminando planos
redundantes e aumentaria a velocidade da introdução do produto.
Muitos dos gerentes gerais desfranqueados renunciaram em protesto, mas
nada deteve Lutz: em janeiro de 2000,
a reorganização começou. Ele promoveu o Dr. Albrecht
Leuschner, chefe da operação alemã da Exide com seis fábricas, para cuidar de
uma grande divisão de produto – a rede global de unidades de negócio. Oito
milhões de dólares em custos mais tarde, cinco grande unidades globais
controlavam as várias linhas de negócio da empresa. Como Leuschner relembra:
"Durante seis semanas fui o imperador do mundo". Por que tão pouco
tempo? Porque na sétima semana da criação, Lutz adquiriu a GNB Technologies,
grande fabricante de baterias dos Estados Unidos, onde a Exide não estava
presente. Para manter Mitchell Bregman, o bem-visto presidente da divisão de
baterias industriais da GNB, Lutz decidiu transformá-la em uma quinta divisão
geográfica. O que se seguiu foi uma batalha entre Leuschner e Bregman para ver
quem iria comandar as operações em outra área geográfica, a China. Sem dúvida,
a Exide iniciou o movimento pendular de volta do apogeu da estrutura de produto
para o apogeu da estrutura geográfica – de onde partiu.
A partir daí, as coisas na Exide começaram a se deteriorar rapidamente.
No balanço de 2000, a
corporação apurou meros 3,2 bilhões de dólares em vendas e publicou um prejuízo
de 136 milhões de dólares, um declínio dos 20 milhões de dólares de lucro
registrados quando Lutz assumiu. Em abril de 2002, as operações nos Estados
Unidos pediram concordata. Em maio, Robert Lutz deixou o posto”.
O
exemplo acima ilustra um ponto importante do processo de mudanças
organizacionais: o efeito pendular pelo qual várias empresas passam. Na
realidade, o que ocorre é que, após algum tempo sob a nova estrutura, ações
tomadas tendem a refletir a maneira como se faziam negócios na estrutura
antiga. Por mais que a mudança tenha se tornado uma realidade, a força da
situação anterior pode induzir funcionários a realizar ações sob uma ótica que
não existe mais. Em decorrência disso, o choque resultante pode fazer a
companhia como um todo sofrer de problemas que já deveriam estar sanados por
conta da própria mudança organizacional implementada. Tem-se, portanto, uma
empresa sofrendo de males vividos em anos anteriores.
3.3 – Mudança Estrutural e Cultural
Outro
bom exemplo de mudança organizacional de ordem cultural, estrutural e de
processos, com grande impacto, o Caso Rhodia Farma, é fornecido por Wood
(2004). Ele narra a grande crise por que passou no início dos anos 90 a Rhodia Farma, empresa
para o setor farmacêutico pertencente à Rhodia S.A., subsidiária brasileira do
grupo francês Rhône-Poulene.
Após
sucessivos programas de reestruturação, o quadro de funcionários caiu cerca de
14.000 (em 1989) para cerca de 9.000 (em 1993). Essa redução foi obtida por
meio de um redimensionamento estratégico - com a venda de alguns negócios -,
programas de terceirização e planos de demissão voluntária e orientada (WOOD,
2004, p.298).
A Rhodia
já implementava desde 1986 o seu Processo Rhodia de Excelência (Prhoex),
irradiado de uma área corporativa central (com cerca de dez funcionários), que
visava recuperação da rentabilidade e aumento da satisfação de clientes. Um
pressuposto do Prhoex era a operação de processos planejados de mudança e a
possibilidade de intervenção cultural.
O setor
farmacêutico pela sua própria natureza é fortemente regulamentado, sendo o
controle e a qualidade fatores críticos. Além disso, é um segmento onde os
custos industriais têm um componente pequeno no valor final do produto, em
detrimento de pesquisa, desenvolvimento, marketing e vendas. Um reflexo disso é
a pouca atenção geralmente voltada aos custos de produção, em comparação com
outros negócios.
Wood
(2004) analisa a implantação do Phroex na unidade de Santo Amaro da empresa,
que havia sido adquirida em 1986 da americana Upjohn, num processo de absorção
completado em 1990. Esse processo levou à fusão administrativa e industrial da
nova unidade com a antiga planta de Santo André, visando ganho de escala e
sinergia. Diferentes práticas tecnológicas e estilos gerenciais envolvendo a
cultura francesa e a americana de gerenciamento provocaram desestruturação, com
conflitos interpessoais e intergrupais.
A
contratação de uma consultoria que deu ênfase ao controle - que se pode
considerar uma vertente da estratégia da Força-Coesão, segundo Schermerhorn
(2005), conforme já abordado no item 2.4 - trouxe mais conflitos, num episódio
de desagregação industrial que culminou com o chamado colapso de 1991: o recall
de um produto ocasionado pela troca de cartuchos em um lote de remédios,
episódio que teve ampla divulgação na imprensa, com implicações graves em
termos de imagem da empresa.
O
turning point para a crise foi a nomeação de um interventor e a substituição de
lideranças, sendo os novos quadros mais alinhados com as práticas preconizadas
pelo Prhoex. Uma característica desse movimento foi a maior abertura para a
participação dos funcionários (tendendo ao Poder Compartilhado de Schermerhorn
(2005), descrito no item 2.4).
A
primeira fase de recuperação foi marcada pela definição de objetivos
estratégicos simples e claros, divulgados em reuniões com todas as lideranças:
garantir qualidade e segurança, recuperar credibilidade junto aos clientes
internos e externos, terminar com o "achismo" e mudar o círculo
vicioso para um círculo virtuoso. Também chama a atenção a intenção de criar
uma "nova cultura Rhodia Farma", pegando o que havia de bom na Rhodia
e o que era bom na Upjohn. A consultoria externa foi afastada, diminuiu-se a
departamentalização excessiva, foram criadas gerências de qualidade,
desenvolvimento e custos. O número de funcionários diminuiu e os que ficaram
estavam mais alinhados com as novas idéias. O novo desenho organizacional foi
caracterizado por maior fluidez na comunicação e na tomada de decisões.
Diminuiu o número de subordens e os conflitos foram mitigados.
Passada
a primeira crise, veio o desafio de melhorar a produtividade. Foi criado o
Plano de Ação para a Qualidade Total (PAQT), em 1993, que deveria de fato
implementar o Phroex na fábrica e envolveu a aplicação de ferramentas,
metodologias e sistemas como o planejamento integrado, times de projetos
multifuncionais, o autocontrole do ciclo de produção (apoiado por Kanban),
treinamento de pessoal e desenvolvimento de fornecedores. Wood (2004) ainda
destaca: “Um dos eventos mais importantes nessa fase foi o ‘Workshop da Qualidade’, que envolveu o primeiro nível
hierárquico da divisão industrial”.
Ao
analisar o caso Rhodia Farma, Wood (2004) enfatiza o aspecto cultural da
mudança, suas dificuldades e desafios. De fato, parece claro que a mudança
estrutural (fusão de unidades fabris) e de processos (implantação de programa
inspirado em TQM) não levou em conta particularmente o impacto que as práticas
de diferentes escolas de gerenciamento (francesa e americana) teriam na
empresa.
Para o
âmbito deste trabalho, pode-se destacar o fato de que a "perda de
controle" do processo de produção poderia ter sido evitado ou relativizado
se houvesse um efetivo planejamento para o Gerenciamento de Mudança (já que as
ações foram reativas), ainda que "processos planejados de mudança" já
estivessem preconizados pelo Phroex. Como já apontado no item 1.3, alguns
pré-requisitos para uma mudança bem sucedida (líderes respeitados, motivação
dos funcionários e cultura não-hierarquizada) estavam ausentes e podem ter
contribuído para o chamado colapso de 1991.
O
"Workshop da Qualidade", iniciativa que foi decisiva no segundo
momento do caso Rhodia Farma, é bom exemplo de prática preconizada no item 2.4
deste trabalho. E o alinhamento da equipe (discutido no item 2.3.2) na segunda
fase da Mudança Organizacional pode ter sido atingido com mais facilidade já
que o Phroex tinha bem definidas a visão e missão da empresa.
3.4 – Mudança de Incremental
Nem
todas as mudanças organizacionais têm o caráter radical das apresentadas
anteriormente. Em alguns casos, pelo próprio teor da mudança, torna-se possível
implantá-la de maneira incremental, realizando alterações gradativamente, de
modo a não causar os solavancos observados nos casos anteriores. Segundo Chaves
(2007), mudanças desse tipo necessitam de um grau menor de Gerência de
Mudanças, o que não significa que um gerenciamento mais leniente baste para se atingir
os objetivos do projeto de mudança. A idéia é que, como a mudança se dará
suavemente, por etapas, muitas das ações necessárias em mudanças radicais
ocorrem em menor proporção, a dor da mudança é comparativamente menor e
torna-se mais fácil de gerenciar as partes interessadas. De qualquer forma,
torna-se importante sempre se preocupar com os impactos de forma a não tornar
um problema pequeno uma bola de neve. Um caso típico de mudança incremental diz
respeito à modificação de processos, como a implantação de um Enterprise
Resource Plan (ERP) ou de um Total Quality Management (TQM), um Plano de
Qualidade Total, na empresa. Um exemplo que ilustra as conseqüências de uma
mudança incremental feita de forma repentina é dado por Abrahamson (2007):
“Desde 1970, John Reed, o futuro CEO do Citigroup, já experimentava
mudanças rápidas e devastadoras em processos de negócio. Sua meta era destruir
uma antiga operação de compensação bancária e criar uma fábrica eficiente de
serviços financeiros. Sua equipe usava ferramentas de mapeamento de processos
para desenhar do zero um processo de compensação ótimo. Então, em uma
sexta-feira de 1971, eles encerraram as operações. No sábado todos os processos
existentes já haviam sido totalmente eliminados. No domingo foram substituídos
por novos processos. Na segunda, o sistema de compensação reestruturado foi
ativado – a "fábrica", como foi chamado.
No final daquela semana ficou evidente que o novo centro de compensação
bancária era autodestrutivo. A discrepância na contabilidade atingiu
astronômicos (para aquela época) 1,5 bilhão de dólares em cada lado do livro
razão. Pilhas de documentos não processados se acumulavam. No final da segunda
semana, o duto de dinheiro do Citibank estourou e, em um caso sem precedentes
nos anais da história bancária, o banco não cumpriu suas obrigações com os
outros bancos de Nova York na compensação das 10 da manhã e de apresentar seu
relatório semanal ao Banco Central.
O fracasso da mudança no Citibank foi tão monumental porque, embora
tivessem destruído o processo existente, eles ainda não haviam testado e
implementado totalmente os novos processos quando o sistema foi ativado.
Destruir processos existentes e criar novos significava que os funcionários
precisavam dar conta de duas tarefas demoradas e complexas simultaneamente.
Remover processos antigos significava demitir antigos funcionários, destruir
estruturas físicas existentes e eliminar rotinas, funções, relacionamentos de
reporte e fluxos da rede de comunicação. Implementar os novos processos
significava integrar novos subsistemas: lançamentos, compensação e comunicação
de procedimentos operacionais padrão, treinamento e moldagem da nova cultura da
fábrica.
Quando as atividades foram retomadas na segunda-feira, eles precisaram
acrescentar mais tarefas ainda, explicitamente, à carga rotineira de trabalho
do sistema e à carga adicional de apagar incêndios. De fato, sempre que
ocorriam falhas no sistema, imensas pilhas de papel e cheques se acumulavam,
paralisando as operações do centro de processamento. Tudo isso resultou em
sobrecarga de iniciativa e em um processo de mudança tão sofrido que estava
praticamente destinado ao fracasso.”
Alguns
dos projetos de Mudança Organizacional mais comuns estão de alguma maneira
ligados com a redução de custos. Em um mercado global onde a competição é
acirrada e pode vir de onde menos se espera, as empresas realizam um esforço
constante no sentido de disponibilizar produtos melhores, com mais qualidade e
a preços mais baixo. Visto que as margens devem ser mantidas de modo a
remunerar adequadamente os investidores e acionistas, os esforços se voltam
para a contenção de gastos e redução de custos, porém com a sempre presente
preocupação em se ofertar um produto com alto valor agregado para os mercados
consumidores.
A grande
saída, para certos dirigentes de empresas, reside na prática do downsizing.
Para enfrentar a necessidade da redução de custos, eles apelam para a
aglutinação de departamentos e corte de cargos. As conseqüências podem ser
desastrosas, com a perda de importantes profissionais para a empresa, como
relata Abrahamson (2004) a partir de uma de suas aulas:
“Estava ministrando aulas em um curso de MBA para executivos, alunos
com dez ou mais anos de experiência gerencial. Falávamos sobre downsizing. Eric,
indubitavelmente o líder da turma, declarou: "Estou na Columbia Business
School por causa de um downsizing. [Risos na classe] Não fui demitido;
simplesmente saí". Ele continuou a nos contar a história de sua empresa,
uma grande companhia norte-americana de bens de consumo, cujo nome ele deseja
manter anônimo. Quanto o CEO da companhia decidiu enxugar a organização,
começou por seu próprio time de líderes, demitindo um a um, até restarem dois
terços de seus comandantes. Ele então instruiu cada um desses comandantes a
demitir um terço de seus subalternos, e assim por diante, até a base da
estrutura.
Para o pessoal da empresa, o processo de downsizing tornou-se uma lenta
e torturante marcha para a morte à medida que cada nível gerencial concluía
suas demissões e o processo no nível subordinado seguinte se iniciava. Eric
disse que "era como ver um piano caindo por dentro de um arranha-céu – em
cada andar, as pessoas tinham que decidir onde ficar para não serem atingidas
por ele". De fato, conforme as demissões atingiam os planos inferiores da
hierarquia, o jogo se alinhava com aqueles com menor chance de serem demitidos
– e cujos chefes tinham menor chance de serem demitidos. Portanto, quando
alguém era inesperadamente demitido oito níveis acima, iniciava-se uma corrida
maluca de realinhamento em cada nível subalterno.
O estresse prolongado resultante da política organizacional, rupturas
na cadeia de comando e ameaça de ser demitido quase paralisaram a empresa. Por
fim, o processo tornou-se tão doloroso, desagregador e politizado que
funcionários excepcionais como Eric optaram sozinhos por deixar a companhia,
por puro desgosto.”
3.5 – Lições da Hewlett-Packard (HP) com Mudança Cultural e
Estrutural
Em maio de 1999 a Hewlett-Packard (HP)
anunciou um plano de criar uma nova companhia, chamada Agilent Technologies,
que deveria agrupar suas áreas de teste e medição, semicondutores, soluções de
saúde, de análise química e de serviços ligados aos laboratórios HP. A oferta
pública de ações (IPO) ocorreu em novembro do mesmo ano. Seis meses depois, a
Agilent já era a 46ª companhia da lista de melhores empresas para se trabalhar
da revista Fortune, empregando 46.000 funcionários
e atuando em mais de 120 países.
O CEO da
companhia, Ned Barnholt, adotou a estratégia de aumentar a eficiência e a
eficácia da nova empresa mantendo o que havia de melhor na cultura e nas
práticas da HP. Manteve valores como inovação e espírito cooperativo,
integridade, confiança e respeito pelos indivíduos, mas acrescentou outros como
agilidade, foco e prestação de contas.
Os
fundadores da HP haviam criado o “estilo HP” para garantir que o crescimento da
companhia não inibisse o espírito empreendedor que a diferenciava (CARROLL, 2001). As sete regras pregavam:
maximização dos lucros, mais resultado para os clientes, foco na diferenciação,
crescimento como parâmetro de avaliação da empresa, segurança no emprego como
conseqüência do crescimento, ação guiada por objetivos e contribuição para a
comunidade.
A descentralização foi uma marca da gestão da
empresa ao longo de sua história e freqüentemente era citada como um fator de
estímulo para a inovação e criação de novos produtos entre engenheiros e
departamentos. Mas, para fornecer soluções integradas, a companhia passou a uma
gestão mais centralizada.
Durante o primeiro ano, Barnholt se concentrou em
construir a nova marca Agilent, estabelecendo uma operação independente, e
construindo um espírito de corpo entre os funcionários mediante visão,
objetivos corporativos e valores (CARROLL, 2001). O executivo criou a estratégia “Clone and go",
replicando procedimentos da HP para a nova companhia. Do ponto de vista dos
funcionários, a nova empresa foi encarada com desconfiança, como se a HP
estivesse se desintegrando. A nova organização também foi associada ao programa
de diminuição de funcionários ocorrido entre 1998 e 1999.
No final, decidiu-se que 3.000 dos 16.000
funcionários deveriam integrar a nova empresa. Até o sucesso do IPO, essa
migração foi difícil, sendo que os funcionários só se dispunham a mudar se
enxergassem líderes também fazendo a transição. Ou então optavam pela nova
companhia se isto estivesse associado a ganhos salariais e funcionais claros.
Barnholt contratou um diretor de operações de fora
da organização, assim como constituiu um conselho diretor com nomes experientes
externos à HP. O conselho poderia demiti-lo, se ele não cumprisse metas de
crescimento. As decisões bottom up foram
substituídas por uma visão top down, dando
ao centro da corporação um papel mais ativo no desenvolvimento estratégico e na
avaliação de novas oportunidades. A centralização visava alinhar os
funcionários com a necessidade de enfrentar a concorrência. Passou a haver foco
no mercado e adotou-se benchmarking
com empresas-alvo, como a Cisco. Para a nova estrutura, a direção concentrou-se
em três áreas: estratégia, operações e prática dos funcionários (programas
Stratos, Excella e Vantage).
Ainda
que os resultados em faturamento tenham sido satisfatórios, a mudança gerou
críticas entre funcionários na nova companhia. Muitas mudanças foram percebidas
como contraculturais, ou seja, agredindo a tradição da HP.
Em 2001,
depois de atingir metas programadas pelos analistas, uma crise econômica afetou
as vendas de produtos que eram o core business
da Agilent, como semicondutores e produtos de comunicação. Ainda que a
reestruturação continuasse avançando, com redução de despesas e mudança de foco
no modelo de negócios, a retração fez a direção diminuir sua expectativa de
crescimento de 20% ao ano para de 10% a 15% ao ano. Para fazer frente à
situação, a direção resolveu promover um corte de salários temporário de 10%,
ao invés de demitir funcionários. Foi uma das primeiras empresas do Vale do
Silício a adotar essa estratégia.
Os
resultados alentadores e espetaculares deram lugar, nesse período, a uma crise
com a queda dos lucros e da taxa de crescimento. Para o conselho diretor, a
forma como a nova empresa lidou com a “cultura da HP” podia colocar em risco a
nova estrutura e a nova cultura organizacional, dois anos depois do início
espetacular.
3.6 – O lado difícil da Mudança Organizacional
Enquanto Abrahamson (2006) enfatiza as vantagens da
“recombinação criativa” em oposição à “destruição criativa”, Sirkin (2005)
propõe que as organizações assumam uma abordagem diferente para lidar com as
dificuldades e perigos de mudanças em organizações.
Abrahamson (2006) defende que projetos de grande
impacto sejam sensíveis aos valores próprios das empresas e argumenta que
muitas habilidades e fatores necessários às mudanças já estão presentes. Sob
esse prisma, o time encarregado do projeto deveria ter foco em evitar traumas
ao ambiente organizacional, o que seria um elemento crítico para o sucesso. Em
poucas palavras, ele propõe que a máxima “não sofre, não muda” seja substituída
por “mudança sem dor”.
Sirkin (2005), por outro lado, critica a ênfase que
gurus de Mudança Organizacional depositam em aspectos “amenos” como cultura,
liderança e motivação dos funcionários. Ele diz que os estudos apontam que duas
entre três iniciativas de Mudança Organizacional falham (ou seja, uma
estimativa próxima à citada no capítulo 1) e censura os modismos em relação à
Mudança Organizacional. Para o autor, não há consenso em relação aos fatores
críticos:
“Esses elementos são importantes para o
sucesso, mas gerenciar apenas esses aspectos não é suficiente para implementar
projetos de transformação. Fatores amenos não influenciam diretamente o sucesso
de muitos projetos de mudança .“ (SIRKIN, 2005).
Em
outras palavras, ele propõe que o foco seja direcionado para aspectos que “não
estão na moda” e que são “difíceis”. A partir de um estudo que foi desenvolvido
de 1992 a
1994 e que envolveu o acompanhamento de 225 empresas, ele dividiu esses
elementos em Duração, Integridade, Compromisso e Esforço, que chamou de técnica
DICE (“duration”, “integrity”,
“commitment”, “effort”).
Em
relação à “Duração”, aponta que um longo projeto que é revisado com freqüência
tem mais chance de sucesso do que projetos curtos que não são revisados. Para o
autor, projetos complexos devem ser revisados a cada duas semanas, enquanto
iniciativas de curto alcance devem ser revisadas de cada seis a oito semanas.
“Integridade”,
para o autor, significa a montagem de um time de projeto qualificado, com
pessoas que tenham sido recrutadas a partir de suas habilidades em resolver
problemas, orientadas para resultado, que sejam metódicas mas tolerantes à
ambigüidade, que aceitem a responsabilidade de tomar decisões e que não sejam
“inclinadas aos holofotes”.
O apoio
que os líderes da organização demonstram ao projeto de mudança “nunca é
demais”. “Compromisso”, para Sirkin (2005), envolve tanto o apoio público que
altos quadros da empresa manifestam ao projeto quanto o apoio obtido dos
empregados através da comunicação contínua dos objetivos desejados, com
mensagens claras e consistentes. Comunicação pessoal é importante para ganhar
confiança. E, se o líder da mudança precisa gastar pelo menos três vezes mais
energia do que o planejado para pedir apoio ao projeto, isso significa que há
problemas nesse quesito.
O quarto
fator crítico envolve o “Esforço” que funcionários precisam empreender para a
mudança. Para o autor, muitos projetos de Mudança Organizacional negligenciam o
trabalho extra que é exigido dos funcionários, além de suas rotinas. Mais que
10% de esforço adicional além das responsabilidades do funcionário significa
perda de apoio e de esforço. Para contornar essa dificuldade, a organização
pode diminuir as responsabilidades requeridas de funcionários-chave para o
projeto, sugere o autor.
Na
prática, avaliando-se esses quatros fatores críticos (que podem ser
quantificados) para diferentes projetos, pode-se antecipar áreas com problemas
potenciais. Isso antes dos projetos serem iniciados ou depois do começo, para
se corrigir trajetórias. Ou ainda na análise de portfólios de projetos, para se
identificar projetos prioritários, rearranjar elementos entre vários projetos
(com equipe, por exemplo) para aumentar a chance de sucesso, ou apontar aqueles
que vão merecer mais atenção dos gerentes seniores.
Atribuindo-se
números para esses quatro fatores, é possível fazer um cálculo para identificar
projetos que têm grande chance de sucesso (“win”), projetos
que são preocupantes (“worry”), e
aqueles que são “aflitivos” (“woe”).
Sirkin
(2005) diz que o Boston Consulting Group utilizou com sucesso a ferramenta DICE
para guiar a execução e prever o impacto causado por projetos de Mudança
Organizacional em mais de 1.000 empresas em escala internacional desde 1994.
A
discussão suscitada sobre as chances de fracasso ou de sucesso são
particularmente úteis, diz o autor, para mudanças em larga escala que envolvem
diferentes unidades de negócio, funções e localizações. Para esses casos:
“É crítico achar o equilíbrio entre visão centralizada, que garante que
todos na organização se esforcem de verdade e entendam as metas, e a autonomia
que as várias iniciativas exigem. Os times precisam ter a flexibilidade e o
incentivo para produzir soluções próprias para os seus mercados, funções e
ambientes competitivos. O equilíbrio é difícil de alcançar sem que se considere
as variáveis DICE” (SIRKIN, 2005).
ANÁLISE
DA PESQUISA APLICADA
“O resultado do pensamento não tem de ser o
sentimento mas a atividade”
Vincent van Gogh
Análise da Pesquisa
A
pesquisa obteve, no total, a participação de 40 pessoas. Inicialmente, será
feita uma análise demográfica sobre o conjunto de dados antes de se aprofundar
nos temas efetivamente relacionados com o Gerenciamento de Mudanças
Organizacionais. O objetivo será, portanto, situar em um contexto os
participantes da pesquisa, para, em seguida analisar suas respostas
relacionadas ao tema deste trabalho de forma mais embasada.
A
maior parte das respostas, cerca de 75%, veio do estado de São Paulo. Isso é
esperado, visto que a estratégia de divulgação da pesquisa se utilizou, como
principal meio de comunicação, solicitações internas às empresas nas quais os
componentes do grupo trabalham. Outros canais de destaque para a obtenção dos
dados foram:
• Mailing list das turmas de MBA em Gerenciamento
de Projetos na FGV
• Os sites http://www.pagnez.com/ e
http://www.villasite.com.br/
• Divulgação boca-a-boca entre colegas de
trabalho
A
grande predominância de respostas advindas do estado de São Paulo pode ser
observada no gráfico abaixo. Em segundo lugar, tem-se a presença do estado do
Rio de Janeiro. Em terceiro e quarto lugares, os estados de Minas Gerais e
Santa Catarina, respectivamente. Nota-se outro fato relevante: os três estados
com maior destaque são justamente os estados em que os capítulos do PMI são
mais ativos, e que contam com o maior número de filiados. São comunidades
ativas de profissionais em estágio bastante desenvolvido, onde o engajamento em
torno de temas de interesse comum e a organização de eventos relacionados com o
Gerenciamento de Projetos é algo nitidamente presente.

Figura 7 – Estado
Dentro
do estado de São Paulo, mais de ¾ das respostas vieram da capital. Isso mostra
a representatividade da capital paulista no contexto do Gerenciamento de
Projetos no Brasil. Outras cidades que tiveram destaque estão todas situadas
num raio de até 150 km
da cidade de São Paulo, particularmente cidades litorâneas como Santos, São
Vicente e Guarujá. Campinas e São José dos Campos completam a lista.

Figura 8 – Cidade
A
faixa etária dos participantes da pesquisa mostra uma quantidade de respostas
similar entre as faixas “até 30 anos”, “de 31 a 40 anos” e “de 41 a 50 anos”, com um número
aproximado de metade das respostas dessas três faixas para “acima de 50 anos”.
Analisando
os dados obtidos, pode-se assumir que a grande representatividade das faixas
“até 30 anos” e “de 31 a
40 anos” representa a massa média de alunos dos cursos de MBA da FGV, com o
tema “Gerenciamento de Projetos”, visto que o mailing list dos cursos foi um
dos recursos utilizados para divulgação da pesquisa e obtenção de resultados.
Sendo assim, a maioria dos participantes desses duas faixas etárias são
profissionais mais jovens, que procuram uma distinção acadêmica para valorizar
seu currículo, e jovens gerentes, que procuram nos MBA’s em “Gerenciamento de
Projetos” um embasamento teórico e a aplicação prática de conceitos e
fundamentos dessa disciplina em suas áreas de atuação.
As
faixas etárias “de 41 a
50 anos” e “acima de 50 anos” provavelmente representam participantes que, em
parte cursavam um MBA com o tema “Gerenciamento de Projetos” e, na sua maioria,
eram colegas mais experientes dos componentes do grupo. Sua participação foi
representativa, analisando-se o número de respostas da pesquisa, e foi
alavancada pela divulgação da mesma internamente nas empresas. A seguir, tem-se
o gráfico que sumariza as respostas por faixa etária:

Figura 8 – Faixa Etária
Do
total de respostas obtidas, pouco mais da metade das pessoas não exerce uma
função de gerente de projetos, e o restante sim. Isso corrobora uma tendência
atual de grande procura e interesse por esse tema por pessoas que integram
times de projeto, ou atuam em empresas projetizadas ou que “vivem” de projetos.
A
parcela dos participantes que se definiu como gerente de projetos provavelmente
está relacionada com as faixas etárias mais altas, porém parte deles também
deve ser encontrada em faixas etárias menores, refletindo uma tendência atual,
principalmente em áreas fortemente relacionadas com alta tecnologia.
Isso
pode ser observado no segundo gráfico da página seguinte, onde quase 60% das
respostas foram de pessoas que tiveram formação em Gerenciamento de Projetos. A
análise desse dado permite tirar algumas conclusões sobre a qualidade dos
resultados da pesquisa. Tem-se, em primeiro lugar, pouco mais da metade das
respostas dadas por pessoas que conhecem a disciplina “Gerenciamento de
Projetos” ou atuam como gerentes de projeto. Por outro lado, uma parcela
significativa das respostas é dada por pessoas que, embora não atuem nesse
cargo ou tenham uma formação apropriada em “Gerenciamento de Projetos”, sofrem
impactos das mudanças causadas por projetos e tiveram a preocupação de responder
a pesquisa para externar sua visão sobre mudança.
É
possível concluir, portanto, que a importância dos vários stakeholders
de um dado projeto está representada nas respostas obtidas. A influência de um
projeto sobre diversas pessoas e meios é algo extremamente importante e
essencial para a obtenção de sucesso de um projeto.
A
seguir, têm-se os dois gráficos que ilustram a situação dos participantes
conforme discutido acima:

Figura 9 – Gerente de Projetos

Figura 10 – Gerenciamento de Projetos
O
gráfico a seguir ilustra a presença maciça de respostas na pesquisa de pessoas
oriundas da área de TI. Outras áreas de destaque são
“Administrativa-Financeira” e “Industrial/Operações”. O Gerenciamento de
Projetos tem se mostrado uma disciplina de interesse crescente do mercado de
TI. Em primeiro lugar por este ser um mercado que essencialmente vive de
projetos. Em segundo lugar, pelos projetos de TI serem, em sua maioria, de
curta duração, o que exige que a pessoa responsável pelo seu gerenciamento
saiba atuar como gerente de projeto, para que não haja problemas dado o curto
cronograma normalmente observado.
Outra
característica notável da área de TI é que a grande demanda por projetos de
pequeno porte criou uma estrutura neste segmento de grupos de projeto menores e
gerentes de projeto mais jovens. Por um lado, os profissionais são treinados
mais cedo nessa disciplina e obtêm experiência prática mais rápido como
gerentes de projeto. Times menores, por sua vez, apresentam como
características principais o relacionamento próximo durante a duração do
projeto, bem como todas as vantagens e mazelas decorrentes desse fato. De certa
forma, a atuação do gerente de projetos no que tange a administração de
pessoas, seus anseios e medos, está mais presente nessa forma de estruturação
do time de projetos.
A
seguir, o gráfico que apresenta as respostas obtidas versus a área de onde o
profissional é oriundo. Outras áreas representativas no gráfico são
“Suprimento/Materiais”, “Recursos Humanos” e a área “Comercial”:

Figura 11 – Áreas
Pouco
mais de 40% das empresas em que os participantes atuam são de grande porte,
apresentando um total de mais de 1.000 funcionários. Todas as outras respostas
vêm de empresas de porte considerável, sendo que apenas 12,5% das respostas
vieram de empresas cujo número de funcionários é inferior a 150.
O
porte é um indicador de que grandes empresas, tendo elas já uma cultura de
projetos ou não, estão envolvidas com o tema “Gerenciamento de Projetos” em
geral e com o “Gerenciamento de Mudanças Organizacionais” em particular. As
empresas de grande porte, ocasionalmente, sofrem processos de mudança internos
ou externos, motivados por oportunidades ou sobrevivência, porém o fato é que
apesar de seu porte, essas empresas devem ser ágeis o bastante para sobreviverem
a esse processo e ele seja satisfatório.
O
gráfico que ilustra o número de respostas pelo porte das empresas pode ser
observado abaixo, com uma clara representatividade de empresas de grande porte:

Figura 12 – Tamanho das empresas
A
presença notável de empresas de grande porte no universo pesquisado possui uma
explicação inferida. O espaço amostral utilizado contou com diversas
referências de participantes matriculados nos cursos de MBA da FGV (mailing
list), e provavelmente oriundos de grandes empresas que apresentam uma
preocupação em treinar seu quadro funcional na disciplina “Gerenciamento de
Projetos”.
Um
fato a ser considerado sobre o porte das empresas é que 15 das 40 respostas
obtidas foram oriundas de apenas duas empresas. Provavelmente tratou-se de
projetos de mudança de grande porte que afetaram diversas pessoas nessas
empresas e as motivaram a participar da pesquisa. De qualquer modo, esse é um
dado que influi no gráfico apresentado acima e também quando se considera a
quantidade de respostas pela nacionalidade da empresa.
Nos
dados obtidos, mesmo quando respostas eram referentes a uma mesma empresa,
notou-se ambigüidade entre os participantes ao classificá-la. Alguns
classificam uma dada empresa como “Nacional” enquanto outros participantes da
mesma empresa preferiram a classificar como “Multinacional”. A conclusão a que
se pode chegar é que uma empresa brasileira com atuação mundial muitas vezes
pode gerar esse tipo de dúvida entre seus funcionários. Visto que essa
divergência foi observada em poucos casos, isso não altera a qualidade dos
dados apresentados.
Pode-se
notar pelo gráfico abaixo, após as considerações feitas anteriormente, que mais
de 60% dos participantes são oriundos de empresas nacionais, enquanto o
restante das respostas provém de participantes que pertencem a empresas
multinacionais:

Figura 13 – Nacionalidade das empresas
Uma
das perguntas feitas aos participantes da pesquisa versava sobre a estrutura
que a empresa apresentava, em relação aos tipos mais comumente encontrados
segundo o PMBoK (Funcional, Matricial e seus diversos níveis, e Projetizada). A
título de simplicidade, os três tipos de estrutura matricial (Forte, Balanceada
e Fraca) foram englobados em um só, “Matricial”.
Pode-se
perceber pelo gráfico da página seguinte, que uma parte considerável das
empresas – mais de 50% das respostas –, apresenta uma estrutura do tipo
“Funcional”, que prioriza a hierarquia e na qual o gerente de projetos possui
menos poder político. Nesse tipo de empresa, muitos projetos ocorrem no âmbito
de um único departamento, e projetos chamados “horizontais” muitas vezes sofrem
com as restrições de afetarem e contarem com profissionais de várias áreas da
empresa, mas que respondem, primeiramente, a seus chefes funcionais.
As
empresas consideradas como “Matricial” (Forte, Balanceada e Fraca) também se
mostram notáveis, com mais de 40% das respostas para a pesquisa. Esse tipo de
estrutura já permite maior liberdade para o gerente de projetos, que acaba
negociando a alocação de funcionários de diversos departamentos para montar o
time de projetos.
Por
fim, tem-se em torno de 5% das respostas de participantes de empresas cuja
estrutura é “Projetizada”. Esse tipo de estrutura oferece grande poder político
para o gerente de projetos, e os departamentos existem de forma “virtual” ou
como detentores de conhecimento de certa disciplina, visto que os profissionais
em si estão sempre alocados em projetos.

Figura 13 – Estrutura das empresas
Apesar
do grande número de respostas virem de empresas cuja estrutura é “Funcional” ou
“Matricial”, o gráfico a seguir apresenta um dado interessante: mais de 75%
dessas empresas apresenta, em sua estrutura, um Project Management Office
(PMO). Isso significa que, mesmo entre as empresas de estrutura “Funcional”, uma
parcela significativa deve possuir um PMO em seu organograma.
Isso
reflete a preocupação que as empresas possuem hoje, não importa sua estrutura,
de formalizar os processos e metodologias que abrangem o gerenciamento de
projetos internos ou externos as mesmas. Procura-se, dessa maneira, um centro
que organize e estruture o que é feito e como é feito, garantindo a
confiabilidade e a rastreabilidade do que é realizado pela empresa. Além disso,
espera-se que o trabalho realizado seja documentando, seus erros e acertos, e
que um Baco de dados histórico seja mantido, preservando-se o que é feito e
permitindo, assim, que a empresa aprenda, evolua e aumente seu nível de
maturidade em Gerenciamento de Projetos. O PMO, ao ser implantado nessas
empresas, contribui positivamente para que todos esses objetivos enumerados
sejam alcançados.
A
seguir, é possível visualizar os resultados obtidos, separando-se as empresas
que possuem e as que não possuem um PMO:

Figura 14 – PMO
Paralelamente
à estrutura apresentar um PMO, foi perguntado quais empresas possuíam a
certificação CMMI. A certificação CMMI é uma evolução da CMM ou software CMM,
originalmente publicada em 1987 (fonte: Wikipédia
[http://en.wikipedia.org/wiki/CMMI], acesso em 6 de fevereiro de 2008), e está
condizente com a fonte das respostas obtidas para a pesquisa. Conforme
apresentado anteriormente, 35% de todas as respostas obtidas eram de
participantes de empresas da área de TI. Logo, é natural que essa certificação,
a qual é muito aplicada e difundida em empresas dessa área, ter sido obtida em
proporção equivalente ao número de empresas da área de TI, como pode ser
observado no gráfico a seguir:

Figura 15 – CMMI
O
gráfico a seguir apresenta a quantidade de projetos executados por ano por cada
empresa. A barra mais representativa é a de empresas que executam mais de 50
projetos por ano, que corresponde a mais de 50% das respostas obtidas. Em
segundo lugar, as empresas que executam de 11 a 50 projetos por anos, correspondem a mais
de 20% do restante das respostas. Menos de 10% dos participantes desconhecem a
quantidade de projetos que sua empresa realiza anualmente.
Embora
seja interessante comparar esses dados com o porte médio dos projetos que são
realizados anualmente, esse tipo de questionamento seria muito específico, e
provavelmente muitas pessoas não saberiam dizer ao certo ou fariam uma
estimativa do real valor, de modo que essa pergunta foi omitida do questionário
enviado junto à pesquisa.
De
qualquer forma, visto que um número significativo de empresas atua na área de
TI – que possui projetos mais curtos e de custos menores se comparados com
outros segmentos, como indústria ou construção civil –, a grande quantidade de
empresas que apresenta mais de 50 projetos realizados anualmente é condizente
com essa informação dada anteriormente.

Figura 16 – Quantidade de projetos
A
análise de dados feita até agora teve como objetivo situar as respostas obtidas
e tirar conclusões sobre o ambiente e as empresas às quais os participantes
pertencem. Procurou-se extrair o máximo das respostas obtidas para poder,
finalmente, entrar nas perguntas que foram o foco de toda a pesquisa: a análise
sobre as mudanças que os projetos realizados tiveram como objetivo.
Em
consonância com o que foi discutido anteriormente, no capítulo 3 – Os Impactos
da Mudança Organizacional, há quatro grandes tipos de mudança:
• Mudança Cultural
• Mudança Estrutural
• Modificação de Processos
• Redução de Custos
Os
tipos de mudança que se mostraram mais presente nos resultados da pesquisa
foram as estruturais e as de processos. Só esses dois tipos representam,
juntos, quase 70% dos casos de mudança organizacional relatados. Visto que 15
das 40 respostas dadas são oriundas de duas empresas, esses dois casos estão
superestimados em função disso, porém mesmo que os resultados sejam
normatizados, esses dois tipos de mudança ainda são os mais representativos.
Mudanças
do tipo estrutural incluem aquisições, fusões, incorporações e fechamento de
setores. São mudanças normalmente dolorosas, pois possuem impactos muito
abrangentes, que muitas vezes não são avaliados adequadamente num primeiro
momento.
Modificações
de processos existentes, como ERP’s, TQM ou novas tecnologias são bastante
impactantes, pois mudam a maneira como as pessoas estão acostumadas e seguras
de conduzir seu trabalho. Normalmente requerem treinamentos pesados e atenção
especial com os funcionários ou grupos afetados pela mudança.

Figura 17 – Tipos das mudanças
Infelizmente, no quadro acima, perdeu-se um pouco da
capacidade de análise já que um número significativo de respostas foi inserido
na categoria “Outros”. O tipo de pesquisa escolhido, sem interação com os
entrevistadores, impediu que um aprofundamento no assunto levasse a
categorização dos projetos de mudança em um dos quatro grandes tipos
mencionados. Por outro lado, conclui-se que a abrangência e profundidade dos
projetos de mudança organizacional são muito grandes, sendo difícil
organizá-los com base nesses quatro grandes tipos. Muitas vezes eles se
mesclam, e pode-se ter características relacionadas a mais de um tipo em um
único projeto, o que acarreta essa dificuldade de categorização.
O principal foco da mudança, segundo as respostas
dadas, foi a captura de uma oportunidade. Quase 70% das respostas se encontram
na categoria de novas metas, novas parcerias, busca de aperfeiçoamento, entre
outros. Isso reflete o mercado cada vez mais globalizado e veloz observado
atualmente, onde projetos de mudança devem rapidamente proporcionar os
objetivos almejados ou a oportunidade irá fatalmente escapar.

Figura 18 – Causas das mudanças
O
restante das respostas estava relacionado a questões de sobrevivência, como
concorrência, riscos de mercado, possibilidade de falência, entre outros, casos
ainda mais graves, pois acarretam enorme pressão sobre o projeto dada a
importância dos objetivos serem atingidos.
Um
dos gráficos mais ilustrativos da situação dos projetos organizacionais obtidos
refere-se à abrangência dos mesmos. Pelo gráfico abaixo, pode-se notar que os
projetos de mudança organizacional se dividem em dois tipos: projetos de
pequeno porte, afetando apenas um único departamento, e projetos de mudança de
grande porte, que afetam mais do que 75% da organização. Quase 30% dos casos
foram de projetos considerados de “pequeno porte”, ou departamentais, enquanto
pouco mais de 50% dos casos observados são de projetos que atingiram 75% da
organização ou a totalidade da mesma, com predominância do segundo caso:

Figura 19 – Impacto da mudança
Técnicas de Implantação de Projetos
O questionário procurou levantar algumas das ações
que foram tomadas pelos gerentes de projetos de forma a garantir que a mudança
fosse implementada da maneira menos dolorosa possível e maximizando o potencial
de sucesso do projeto.
Segue abaixo uma tabulação contemplando o item
colocado para avaliação do participante, na coluna esquerda, e na direita o
percentual de respostas que indicaram esse item como evidente durante a
realização do projeto.
Foi permitida, nessa etapa, a múltipla escolha dos
itens colocados, logo os percentuais não somarão, em sua totalidade, 100%.
|
Item
|
Percentual
|
|
Houve
comunicação clara dos objetivos e alterações a serem implementadas?
|
62,5%
|
|
Houve
recebimento de opiniões que auxiliam em melhorias para o projeto?
|
60%
|
|
Houve
apoio dos escalões superiores?
|
57,5%
|
|
Os
valores da organização foram respeitados na hora das mudanças?
|
57,5%
|
|
A
execução ocorreu em etapas?
|
57,5%
|
|
Houve
participação, envolvimento e comprometimento das áreas impactadas?
|
52,5%
|
|
Houve
esforço de treinamento?
|
47,5%
|
|
Clientes
foram ouvidos ou a opinião deles foi levada em conta?
|
45%
|
|
Houve comunicação
adequada entre os setores envolvidos na mudança?
|
42,5%
|
Estes resultados mostram que alguns dos pontos
considerados críticos na implantação de projetos, como o apoio da alta administração,
a clareza nos objetivos, a execução em etapas, o treinamento do pessoal e a
opinião dos clientes, estão listados como os mais aplicados. Isso prova que há
uma grande preocupação com os mesmos e coerência entre as práticas de
gerenciamento de mudança organizacional de projetos distintos.
Sobre as “Análises Preliminares” à implantação do
projeto e os “Documentos de Projeto” aplicados, a lista a seguir mostra as
técnicas utilizadas pelas pessoas que possuíam conhecimentos de Mudança
Organizacional oriundos de implantação de Projetos:
|
Ação
|
Percentual
|
|
Criação
de documentação para o projeto
|
62,5%
|
|
Análise
das Rotinas Impactadas
|
60%
|
|
Levantamento
das Áreas Impactadas
|
55%
|
|
Análise da Cultura
Organizacional
|
40%
|
Faz-se importante ressaltar que, na maioria dos
projetos, houve a análise dos impactos nas rotinas ou áreas que o projeto
modificaria, mostrando a preocupação dos gerentes de projeto para com as
conseqüências da implantação do projeto nas pessoas. A análise da cultura
organizacional foi feita em 16% dos casos observados, sendo que apenas três das
40 respostas identificou o projeto de mudança como de caráter cultural. Assim
sendo, é nítida a preocupação que os gerentes de projeto tiveram de averiguar
se as mudanças causadas iriam de alguma maneira impactar a cultura da própria
empresa.
Os participantes oriundos de implantações de
projetos, e que possuíam conhecimento dentro da área de Mudanças
Organizacionais apontaram, como principais ações e meios de divulgação da
implantação dos projetos, os seguintes itens:
|
Ação
|
Percentual
|
|
Reuniões
/ Preparação exclusiva para os formadores de opinião
|
42,5%
|
|
Ações de
Capacitação (Treinamento, Cursos).
|
37,5%
|
|
Divulgação
por e-mail
|
37,5%
|
|
Atividade
de Lançamento do Projeto
|
30%
|
|
Workshops
|
30%
|
Um fato notável a se concluir, a partir da tabela
acima, é que os meios de divulgação mais empregados envolvem a presença de
pessoas e o contato pessoal, com a única ressalva da divulgação por e-mail, observada em 15% dos casos analisados.
Outro fato importante a ser observado é que ações de
capacitação, consideradas essenciais para o sucesso de um projeto, estão entre
os itens mais observados. São ações que contribuem também para a aceitação da
mudança entre funcionários, já que os mesmos percebem como “prêmio” sua menção
e escolha para serem treinados, e sua importância para o sucesso da mudança
após o projeto ter sido realizado ganha um nível pessoal de envolvimento.
Com relação a ações de “Análise” da implantação dos
projetos, participantes oriundos dessa área que possuíam conhecimento em
Mudança Organizacional elegeram as seguintes ferramentas, como as mais
utilizadas:
|
Ferramenta
|
Percentual
|
|
Verificação
do check-list das implantações esperadas
|
37,5%
|
|
Recepção
de feedback das ações de comunicação
|
27,5%
|
|
Pesquisas
de Satisfação
|
15%
|
|
Índice de
Utilização (em casos de produtos / ferramentas novas)
|
15%
|
|
Abertura de um
canal de ouvidoria
|
15%
|
Nota-se, a partir da tabela acima, uma grande
diferença entre a divulgação e a análise da implantação do projeto, sendo que
esta última é muito menos aplicada. Pode-se afirmar que é mais um monólogo do
que um diálogo com os stakeholders,
em particular com os diretamente envolvidos com a operacionalização após a
mudança ter tido efeito.
É possível supor que, dada a falta de tempo na
implantação de projetos, há uma priorização de ações, e como as ações de
divulgação não podem deixar de ser feitas, as ações de análise ficam relegadas
a segundo plano.
Resultados da Implantação de Projetos
Por fim, a pesquisa procurou obter avaliações sobre
o resultado das implantações feitas, tendo em vista o sucesso ou fracasso das
mudanças organizacionais realizadas através de projetos. Segue a tabulação dos
resultados obtidos:
|
Resultado
|
Percentual
|
|
Ótimo,
todos os objetivos foram cumpridos
|
37,5%
|
|
Bom, a
maioria dos objetivos foi cumprida
|
32,5%
|
|
Mediano,
sucesso parcial no atendimento dos objetivos
|
17,5%
|
|
O projeto ainda
está em andamento; não se sabe ainda o índice de sucesso.
|
12,5%
|
Dentre os projetos concluídos, considerando-se os
resultados “ótimo” e "bom”, tem-se um índice de 70%, o que pode ser
considerado um índice positivo bastante alto. Este resultado é uma conseqüência
direta da aplicação de importantes técnicas para a obtenção de sucesso em
projetos de mudança organizacional, que foram relatados em itens como
preparação, divulgação e apoio que os projetos considerados tiveram.
A
seguir, para cada fase do projeto, serão demonstrados os pontos levantados na
conciliação da proposta do texto e dos resultados levantados em campo.
Procura-se, dessa maneira, analisar o a pesquisa aplicada, contrapondo os
argumentos propostos com a realidade prática observada no mercado.
Iniciação
Nesta
fase, a literatura cita que para o Gerenciamento da Mudança faz-se necessário o
levantamento de seus impactos, assim como o levantamento das áreas que serão
impactadas com a mesma, num primeiro exercício de avaliação das dimensões que
deverão ser gerenciadas.
É
necessário que seja estudada a cultura organizacional profundamente, de modo a
se obter uma visão real dos valores comuns às pessoas. Essa etapa deve ser
realizada através de contato direto com as pessoas da organização, com
entrevistas e workshops com os stakeholders.
Como
resultado, no documento "Declaração dos Macroimpactos Gerados" devem
estar os processos e áreas, o ambiente físico e ambiente de trabalho que serão
envolvidos, organizados de modo a se estruturar corretamente o trabalho.
A
pesquisa revelou que a “Análise das Rotinas Impactadas” foi aplicada em 60,0%
dos projetos, o “Levantamento das Áreas Impactadas” em 55% e a “Análise da
Cultura Organizacional” em 40%.
Os
clientes foram ouvidos ou a opinião deles foi levada em conta em 45% dos casos.
Houve comunicação adequada entre os setores envolvidos na mudança, um
importante fator, em 42,5% dos casos. “Os valores da organização foram
respeitados na hora das mudanças” em 57,5%.
Conclui-se
que, na maioria dos casos, está sendo considerado como relevante à análise dos
impactos nos stakeholders e nos processos,
levando a gerência do projeto a investir maiores recursos destinando-os para a
obtenção das informações e aplicá-los, de modo a se aumentar as chances de
sucesso do projeto.
Para
a obtenção das informações, a pesquisa revelou que “Reuniões / Preparação
exclusiva para os formadores de opinião” foi empregado em 42,5% e “Workshops” em 30% dos projetos.
Aqui
se nota que há uma redução do índice de aplicação das ferramentas, ou seja, nem
toda a análise é feita com contato direto com os stakeholders,
e sim com uma análise da equipe de projeto, das pessoas e do ambiente.
Este
resultado é esperado pois não é possível que todas as informações sejam obtidas
dos envolvidos e que sempre haja um processo de análise interna à equipe de
projeto. Algumas das ferramentas principais são então focadas para se garantir
a continuidade adequada do projeto.
Outro
ponto importante da pesquisa é que em 62,5% dos casos, “Criou-se documentação
para o projeto”, formalizando as ações ocorridas e decisões tomadas.
Esperava-se um índice maior, porém estamos próximos dos 2/3, que podem ser
considerados uma grande maioria dos casos.
Também
o dado de que 57,5% dos projetos a execução ocorreu em etapas é muito
importante, pois a literatura indica como essencial esta divisão e controle em
partes para auxiliar o gerenciamento do projeto.
Planejamento
As
informações levantadas na fase de iniciação, com a aplicação das técnicas e
ferramentas, deverão ser transformadas em um "Plano de Gerenciamento da
Mudança", onde estarão detalhadas as áreas, a cultura e valores para uma
visão macro do impacto das mudanças.
No
planejamento é que se estabelece o que deve ser feito e “preparar o terreno”
para a implantação do projeto, portanto é extremamente importante concentrar
esforços para garantir o bom andamento futuro do projeto.
Nos
resultados da pesquisa, a opção “Conseguimos implantar previamente um `Plano de
Gerenciamento da Mudança´” foi indicada apenas por 32,5% dos participantes,
mostrando que esta técnica ainda é muito pouco empregada, podendo impactar
negativamente os resultados do projeto.
Há
uma perda de percentual, desde o levantamento dos impactos até a geração e
implantação de um plano de mudanças, supostamente por análises que indiquem que
não seja tão importante aplicá-lo ou por priorização de outras atividades de
projeto em detrimento da elaboração do plano em questão.
Sobre
as divulgações preliminares do projeto, nas respostas da pesquisa indicou-se a
seguinte utilização percentual das ferramentas:
o “Reuniões
/ Preparação exclusiva para os formadores de opinião” – 42,5%
o “Divulgação
por e-mail” – 37,5%
o “Workshops” – 30%
o “Atividade
de Lançamento do Projeto” – 30,0%
São
valores muito baixos, pois se o gerente de projetos quiser que a equipe e os
atingidos pela mudança se sintam envolvidos e fazendo parte do projeto, estas
pessoas devem ser alertadas, informadas e requisitadas desde o início do mesmo.
Pelo
modelo PDCHI, este é o momento da preparação para a mudança, fazendo com que a
‘P’ercepção da mudança comece a acontecer para os stakeholders
mesmo antes de ser implementada.
Alinhamento da Equipe
A
integração da equipe de projeto, com ações de capacitação e “alinhamento da
equipe", é destacado pela literatura, para que os integrantes da equipe de
projeto “comprem a idéia" e "vistam a camisa", sendo
transformados, assim, nos principais advogados da mudança.
As
respostas da pesquisa indicaram que “Houve esforço de treinamento” em 47,5% dos
casos, e “Atividade de Lançamento do Projeto” em 53 dos casos, comprovando a
preocupação com esse aspecto.
Estas
técnicas tendem a despertar o ‘D’esejo nas pessoas – modelo PDCHI –, de que a
mudança ocorra, pois as pessoas sentirão que também estão recebendo investimentos
em suas carreiras e que seus superiores estão preocupados com sua nova posição
na organização pós-mudança. São ações que visam promover nessas pessoas um
sentimento de desejo de que a mudança se concretize.
Execução
Nesta
fase de implantação do projeto, a literatura considera como a essência colocar
em prática os planos gerados no planejamento, praticando constantemente a
comunicação entre as partes envolvidas. Influenciando os formadores de opinião
e treinado as pessoas necessárias para o sucesso da mudança.
Acerca
das respostas da pesquisa sobre a divulgação, temos como os meio mais
utilizados:
o “Divulgação
por e-mail” – 57,5%
o “Workshops” – 30%
o ”Atividade
de Lançamento do Projeto” – 30,0%
o “Divulgação
por folhetos” – 8%
Esperava-se
um índice maior de divulgação, principalmente pela ferramenta “e-mail”, pois nos dias de hoje este formato tende a ser o
mais utilizado por ser de grande facilidade de manipulação, abrangência e
economia. A divulgação por folhetos teve um índice alto de respostas, e apesar
de ser o mais caro, mesmo assim as empresas estão utilizando-se deste formato.
Sobre
as comunicações e comprometimento dos envolvidos, os percentuais para “Houve
comunicação adequada entre os setores envolvidos na mudança” – 42,5%, e “Houve
participação, envolvimento e comprometimento nas áreas impactadas” – 52,5%
demonstram que, apesar dos esforços, apenas metade da pessoas reconhece ou é
atingida pela estratégias de divulgação e fomentação ao comprometimento com o
sucesso do projeto.
Em
termos de Ações de Capacitação - treinamento e cursos - as respostas indicam
que foram aplicados em 37,5% dos casos, um índice relativamente baixo,
explicado pelo fato de que muitos projetos eram de fusões e aquisições e apenas
35% eram de implantação de novas tecnologias.
Um
comentário interessante de um participante é que houve um acompanhamento
psicológico dos funcionários, mostrando que o projeto foi avaliado como de
grande impacto e tratado como tal.
Controle
A
literatura indica que as ferramentas utilizadas para controle da implantação de
projetos são: pesquisas, verificação de índices de utilização dos novos
processos, e estabelecimento de um canal de comunicação de “feedback”. Estes meios permitem que se verifique
corretamente a eficácia das ações contempladas nos planos de Gerenciamento da
Mudança.
Na
pesquisa obtivemos os seguintes percentuais de aplicação:
o Verificação
do check-list das implantações esperadas –
37,5%
o Recepção
de Feedback das ações de comunicação –
27,5%
o Pesquisas
de Satisfação – 15,0%
o Índice
de utilização (em casos de produtos / ferramentas novas) -12,5%
o Abertura
de um canal de ouvidoria – 10,0%
Analisando-se os resultados, é evidente que os
índices de aplicação destas ferramentas de controle são muito baixas
comparando-se com as outras ferramentas aplicadas, como por exemplo, as de
divulgação do projeto.
O “check-list” é
uma ação dentro da equipe de projeto, e mais fácil de se aplicar. Já as outras
ferramentas requerem acesso ao público impactado, o que demanda maiores
recursos de pessoal e tempo, causando uma menor atratividade do ponto de vista
financeiro com relação a sua aplicação.
De qualquer modo, é interessante notar que apesar
dos baixos índices, estão sendo utilizadas as ferramentas de feedback, para verificar se a implementação está sendo ou
não bem-sucedida.
Encerramento
Levando-se em conta que 12,5% dos participantes
analisaram projetos ainda em andamento, os demais participantes fizeram sua
avaliação sobre projetos já concluídos, portanto com uma análise de maior
acuidade sobre seus resultados. Destes, 70% indicaram que os projetos tiveram
um índice de sucesso “Ótimo” ou “Bom” e apenas 17,5%, sucesso “Mediano”.
Entende-se que os processos de encerramento
indicados na literatura, como realocação consciente e otimizada dos recursos
estão sendo bem empregados, pois caso contrário, para estes participantes
impactados pela mudança, os projetos não teriam um nível de sucesso tão alto
quanto o observado nas respostas obtidas pela aplicação da pesquisa.
Ainda nesta linha, estamos no momento de
‘I’ncentivos do modelo PDCHI, onde deve-se proporcionar a sustentação da
mudança para que não haja retrocessos. É um dos pontos mais críticos do
Gerenciamento de Mudanças, e contempla todas as ações necessárias para tornar a
própria mudança auto-sustentada, capaz de manter um novo ciclo que foi
iniciado, impedindo pessoas e processos de voltarem a atuar conforme vinham
fazendo no status quo anterior.
Com esta última etapa, completa-se o ciclo proposto
para uma Mudança Organizacional estruturada, focada na minimização da “dor”
causada por todo processo de alterações de zonas de conforto, apesar de ter
como objetivo final atingir um bem maior. Procurou-se identificar numa primeira
etapa, e depois comprovar na prática, a aplicação desses processos estruturados
de Gerenciamento de Mudanças, aferindo a adequabilidade de seus preceitos para
cada caso e o sucesso advindo de sua implantação.
Mais do que em outras situações, as
habilidades de um gerente de projetos de lidar com pessoas e com o inesperado
das situações são condições primordiais para quem for se dedicar à arte do
Gerenciamento de Mudanças Organizacionais.
CONCLUSÃO
“Você não pode ensinar nada a um homem;
você pode apenas ajudá-lo a encontrar a
resposta dentro dele mesmo”
Galileu
Galilei
Iniciamos
o trabalho com o seguinte questionamento: Quais princípios e técnicas de
gerenciamento de mudanças são usados no gerenciamento de projetos de grande
impacto organizacional e quais os resultados obtidos com a sua utilização?
Para
responder a este questionamento partimos de uma revisão da literatura quanto ao
tema, que foi apresentado no capítulo 1. Nessa revisão encontramos as
definições de diversos autores quanto à importância do gerenciamento de
mudanças dentro das organizações, nesse processo é importante levar em
consideração o fator humano - os indivíduos podem ser fator decisivo - no
sucesso ou não de projetos de grande impacto organizacional.
A
Gerência de Mudança surge, então, como a formalização do entendimento das
causas e conseqüências das mudanças, pelas quais os seres humanos passam em sua
evolução, e as implicações do homem como agente de mudanças em seu meio. Essa
gerência resulta do estudo e da elaboração de procedimentos a partir da
vivência prática dos stakeholders, ou
seja, resulta da aplicação prática e da vivência de processos de mudança. A importância do gerenciamento de mudança é
tanto crescente quanto evidente, sua aplicação para a resolução de problemas
enfrentados por corporações no mercado, dada a demanda por métodos e regras que
norteiem executivos em suas decisões, é significativa. Portanto faz-se
necessário contar com guias e ferramentas que auxiliem essa tomada de decisão,
garantindo a eficácia e eficiência dos processos de mudança implantados.
A
aceitação das mudanças por parte dos envolvidos é condição fundamental para o
sucesso destes projetos, o que exige de gerentes de projetos e demais
coordenadores ações que possibilitem e favoreçam essa aceitação, elevando a
probabilidade de se ter um projeto de sucesso.
As
pessoas passam a ter um papel central nos projetos de mudança organizacional e
constituem-se, portanto, em agentes, os mais importantes, para garantir que a
mudança em obtenha o resultado esperado. Gerenciar mudanças, talvez mais, do
que em projetos de outra natureza, significa gerenciar pessoas, aprofundar as
ações assumidas de modo a considerar ao máximo seu papel e influência para que
a mudança seja satisfatória.
Tal
condição está evidenciada no próprio PMBOK (2004), que dedica um capítulo
inteiro para os processos de gerenciamento de pessoas em projetos. Tem-se, uma
referência consagrada em Gerenciamento de Projetos como o PMI (Project Management Institute) que agrupa processos e
ferramentas específicas a fim de gerenciar pessoas.
No
Capítulo 2 apresentaram-se argumentos para que os processos de Gerenciamento de
Projetos possam ocorrer ao mesmo tempo em que os processos de Gerenciamento da
Mudança Organizacional e no capítulo 4, os resultados da pesquisa e posterior
análise conjuntural comparando-os aos dados da literatura.
A
pesquisa foi destinada para projetos que tenham causado grandes mudanças
organizacionais, como fusões de empresas, incorporações e implantações de
sistemas que embatem grande parte ou toda a organização envolvida. Buscaram-se
assim, projetos cuja importância para a sobrevivência ou captura de
oportunidades para as empresas os tornasse essenciais. O objetivo era garantir
que, pela importância, os projetos tomariam importantes recursos das empresas e
seriam tratados como primordiais, portanto direcionando de certa forma os
gerentes de projeto a buscarem e aplicarem as melhores práticas em
Gerenciamento de Mudanças Organizacionais.
Dessa
maneira, seria possível avaliar o nível de maturidade encontrado nos casos em
que projetos de mudança obtêm um nível de apoio interno satisfatório para
alavancar o seu sucesso.
Pode-se
afirmar que 52,5% dos projetos impactaram mais de 50% da organização e dentre
eles 27,5% impactaram toda a organização, destaca-se que mais de 50% dessas
organizações desenvolvem mais de 50 projetos por ano. No universo amostral
encontramos que viver de projetos é algo natural, e que os projetos analisados
impactaram de maneira única à organização.
Os
resultados da pesquisa também apontam para o fato de que o uso de técnicas de
Gerenciamento de Mudanças Organizacionais são adequadamente aplicadas em
projetos desenvolvidos atualmente, pois 100% dos participantes apontaram o uso
de, pelo menos, uma das técnicas apresentadas na pesquisa, apontando
observações positivas do uso destas técnicas ao longo do projeto,
destacando-se: a preocupação com uma comunicação clara dos objetivos, o
recebimento de opiniões dos impactados e envolvidos e apoio dos escalões
superiores. Sobre a questão que solicitava que fosse indicado o índice de
sucesso do projeto, 70% dos participantes disseram que o projeto teve um índice
“Ótimo” ou “Bom”. A alta concentração de respostas positivas converge para uma
consolidação dos benefícios que o projeto pode ter ao estruturar corretamente
processos e ferramentas indicadas para o Gerenciamento de Mudanças
Organizacionais.
Como
desdobramento para esta investigação, pode ser proposta uma ampliação do escopo
e o refinamento do questionário, para que se possa mostrar o processo de
implantação, suas limitações e possibilidades.
ABRAHAMSON,
Eric. Mudança Organizacional. São Paulo:
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WOOD JR., Thomaz. Mudança organizacional. 4.ed. São
Paulo: Atlas, 2004
Formulário de coleta da pesquisa
aplicada, disponível no endereço de internet:
http://www.villasite.com.br/fgv/pesquisa.php
|
Olá,
Estamos realizando um Trabalho de Conclusão
de Curso no MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos da Fundação
Getúlio Vargas (SP).
Desenvolvemos um estudo sobre projetos que
têm impacto em mudança organizacional (criação ou alteração de processos já
incorporados à cultura da empresa).
Caso você já tenha gerenciado ou tenha se
envolvido em algum projeto com esta característica, gostaríamos que
respondesse a uma pesquisa para que possamos analisar o comportamento do
uso ou não de técnicas que ajudarão no desenvolvimento de projetos deste
tipo.
Os respondentes receberão uma cópia do
trabalho, que compilará diversas fontes sobre o que é e como implementar o
Gerenciamento de Mudanças Organizacionais, assim como a análise do
resultado desta pesquisa.
OBS.: em
nenhum momento sua resposta será usada de forma individual e que exponha
você, sua empresa ou seu projeto, os resultados serão tabulados e
utilizados de forma estatística.
Contamos com sua colaboração!
Atenciosamente,
Carolina Villa (carolina.pvilla@gmail.com)
Luiz Pagnez (luiz@pagnez.com)
Marcos Strecker (marcos_strecker@yahoo.com.br)
Paulo Usuda (usuda@terra.com.br)
Ricardo Mendonça (ricardo.mendonca@uol.com.br)
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Parte superior do formulário
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..:: DADOS DO RESPONDENTE ::..
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Nome
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Email
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Idade
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Até
30 anos De 31 até 40 anos De 41 até 50
anos Acima de 50 anos
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Estado
Onde reside
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Aguarde, carregando cidades...
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Cidade
Onde reside
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..:: DADOS DA EMPRESA ::..
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Nome
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Tamanho
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Menos
de 150 funcionários
De 151 a
500 funcionários
De 501 a
1.000 funcionários
Acima de 1.001 funcionários
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Nacionalidade
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Nacional
Multinacional
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Ramo de atividade
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Tem PMO?
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Sim
Não
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Tem CMMI?
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Sim
Não
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Tipo da Organização
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Matricial
Funcional (Hierarquizada) Projetizada
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Número médio de projetos
na empresa por ano
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Menos
de 10
Entre 11 e 50
Mais de 50
Desconheço
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Quem decide quais
projetos serão
executados?
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Presidência
Diretoria
Gerência
Supervisão
Outros:
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Quem decide a
prioridade de
execução dos
projetos?
|
Presidência
Diretoria
Gerência
Supervisão
Outros:
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..:: CARGO NA EMPRESA ::..
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Você é Gerente de Projetos?
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Sim
Não
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Tem formação em
Gerenciamento de Projetos?
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Sim -
Qual?
Não
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Área de Atuação
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Nível Hierárquico
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Vínculo
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Consultor
Empregado
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..:: SOBRE O PROJETO ::..
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Nome do Projeto
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Descreva brevemente
o objetivo do projeto
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Qual o tipo deste projeto?
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Mudança estrutural (Aquisições, fusões,incorporações e fechamento de setores)
Modificacao dos processos (Implantação ERP/TQM , novas tecnologias)
Reduçao de custos (Redução de quadro, eliminação de atividades não
essenciais)
Mudança cultural (Mudança de Liderança/Chefia)
Outros:
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Justificativa do projeto:
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Sobrevivência
(concorrência, riscos de mercado, possibilidade de falência, etc.)
Oportunidade (novas metas, novas parcerias, busca de aperfeiçoamente, etc.)
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Você atuou como
Gerente de Projetos
neste projeto?
|
Sim
Você era um Gerente de Projetos interno da empresa
ou externo(contratado)?
Interno (trabalhava na empresa)
Externo (fui contratado)
Não
Foi impactado pela mudança ou apenas observou os
departamentos / pessoas ?
Fui impactado
Apenas observei
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Número de pessoas afetadas
direta ou indiretamente
pelo projeto
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Apenas
um departamento
10% da organização
25% da organização
75% da organização
Toda a organização
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Marque quais técnicas
você praticou/observou
no projeto acima
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Análise da Cultura Organizacional
Levantamento das Áreas Impactadas
Análise das Rotinas Impactadas
Workshops
Ações de Capacitação (Treinamento Presencial, Treinamento Online, Cursos,
etc.)
Atividade de Lançamento do Projeto
Estabeleceu-se democraticamente o nome do projeto
Criou-se documentação para o projeto
Reuniões / Preparação exclusiva para os formadores de opinião
Recepção de Feedback das ações de comunicação
Pesquisas de Satisfação
Índice de utilização (em casos de produtos / ferramentas novas)
Abertura de um canal de ouvidoria
Verificação do check-list das implantações esperadas
Divulgação por e-mail
Divulgação por folhetos
Outros :
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Mudança Organizacional
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No momento da implementação destas ferramentas, você tinha
consciência
de que estas técnicas fazem parte do Gerenciamento da Mudança Organizacional
ou apenas as praticou por achar que eram necessárias?
Sim, eu conheço as técnicas de Mudança Organizacional
Não, eu apenas apliquei as técnicas por achar necessário
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Explique por que achou
necessário a implementação
destas técnicas
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Houve
observação em outros projetos? É apenas uma questão de implementar a
comunicação da execução do projeto? Etc.
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Assinale quais características
você presenciou
na execução do projeto
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Conseguimos implantar previamente um 'Plano de Gerenciamento da Mudança'
Houve participação, envolvimento e comprometimento nas áreas impactadas
Ocorreu utilização efetiva / correta (em casos de produtos / ferramentas
novas)
Recebimento de opiniões que auxiliam em melhorias para o projeto
Houve comunicação adequada entre os setores envolvidos na mudança
Funcionários sentiam ameaça à posição ou ao emprego se não participassem
Houve a expectativa de obter recompensas ou reconhecimento ao participar do
projeto
Clientes foram ouvidos ou a opinião deles foi levada em conta
Houve comunicação clara dos objetivos e alterações a serem implementadas
Houve esforço de treinamento
Os valores da organização foram respeitados na hora das mudanças
Houve planejamento de longo prazo
A execução ocorreu em etapas
Houve apoio dos escalões superiores
Outros :
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Qual o índice de
sucesso do projeto,
na sua avaliação?
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Ótimo,
todos os objetivos foram cumpridos
Bom, a maioria dos objetivos foi cumprida
Mediano, sucesso parcial no atendimento dos objetivos
Insuficiente, poucos objetivos foram cumpridos
Os objetivos não foram cumpridos / projeto foi abandonado
O projeto ainda está em andamento. Não se sabe ainda o índice de sucesso.
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Caso queira deixar mais informações e observações
relacionadas ao Gerenciamento de Mudanças Organizacionais, utilize o campo
abaixo.
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